Faz sentido o boi derreter nessa safra? (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 8 de Maio de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Vamos inovar no conteúdo? Abaixo você encontra uma tabela e um gráfico que compara os preços atuais dos elos da cadeia produtiva da pecuária com os de 11/11/2020 (maior valor nominal da arroba do ano passado). Coloquei também referência em dólar, clima e das proteínas concorrentes. O que teria ocorrido aproximadamente seis meses depois do pico de preços anterior da arroba?



Conclusões:

1.    Nota-se uma alta generalizada de todos os elos da cadeia e insumos, com exceção do suíno, que está uma tragédia (preço em queda e custo explodindo). Falando em tragédia, tem outra, a chuva. Importante: a arroba do boi foi o item que menos subiu no período analisado, muito menos inclusive do que seu concorrente direto: o frango vivo na granja de SP subiu mais que o dobro da arroba;

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2.    O atacado casado com osso teve variação muito próxima da arroba, evidenciando uma conexão muito grande com ela, como esperado. Claramente o mercado interno representa um “freio de mão puxado” para o preço do boi. No segundo semestre essa “peia” pode se soltar ou pelo menos afrouxar, pois a vacinação trará uma atividade econômica mais intensa. A perspectiva para a arroba no segundo semestre é espetacular, mas é importante lembrar que o céu nunca será o limite. Obs.: elaboramos possíveis curvas de preços para 2021, que estão no Front: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/noticias-do-front/

3.    A picanha no varejo também está colada na variação da arroba, fato, em minha opinião, que retrata a dificuldade de venda de cortes de valor agregado no mercado interno (outro limitante);

4.    A cotação do boi gordo, convertida para dólares, sinaliza que temos um câmbio com uma taxa mais amena, mas isso não representou problema até agora (problema = arroba disparar em dólares, diminuindo nossa competitividade). Cremos que o preço em dólar poderá subir mais. Se o gado do MT hoje tem o mesmo preço de SP, porque a arroba do Brasil não pode se aproximar mais da arroba americana (USD 63/@)? O mercado futuro já não está longe disso (R$ 335/5.35 = USD 63). Porém, o câmbio é de longe o fator que mais me preocupa para o preço da arroba no segundo semestre;

5.    A alta de 25% no milho representa bem o estouro no custo de produção que atormenta o produtor de todas as proteínas animais. Detalhe: vários outros itens subiram muito mais, como por exemplo, o arame liso, etc;

6.    O dianteiro no varejo está totalmente descolado do traseiro, evidenciando uma migração de consumo muito forte para cortes mais baratos no mercado interno, além de uma menor oferta devido aos altos volumes exportados (o dianteiro está mais amalgamado na dinâmica da exportação do que o traseiro);

7.    Sobre o bezerro, nem preciso comentar: está totalmente não aderente ao que ocorre com o boi gordo (oferta curta e demanda muito forte). O principal componente do custo de produção do boi gordo explodiu, está nas nuvens e não dá sinais de arrefecimento contundente;

8.    A exportação, líder absoluta do incremento de preços. Isso reflete um fato inconteste no mundo, depois da Ásia assumir papel de absoluta liderança em termos de demanda mundial: não há carne no planeta suficiente para atender todos. Entenderam porque os balanços das empresas exportadoras listadas em bolsa está reportando lucros extratosféricos e muito acima das previsões? A diferença que o acesso ao mercado externo causa nos frigoríficos é gigante. Olho atento para concentração no setor.

9.    A consequência dos oito itens acima para o invernista? Está abordada no Front Premium, disponível para os assinantes mediante login e senha (https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/noticias-do-front/). Dica: ficou muito dinheiro na mesa porque o boi trucou mas o bezerro subiu na mesa e pediu seis!


No mais, continua a “peleja” da safra que seguirá por mais umas duas semanas, desafiando a resiliência da arroba. Sigo acreditando fortemente na arroba de junho/julho e confirmo que não faço ideia qual será o fundo dessa safra. Tenho humildade total perante ao mercado, o que não me impede de ter um número baseado em estudos sobre o nosso passado: entendo como potencial máximo de queda da arroba nessa safra o valor de R$ 10,00 (ele ainda não foi quebrado de maneira contundente e nacional).

Para finalizar: depois de ver esses nove apontamentos acima, te pergunto: você acha que faz sentido o boi gordo “derreter”? A resposta é com você...

Até a próxima! Saúde, saúde, saúde, Rodrigo Albuquerque!

Disclaimer: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/retenção/compra de qualquer ativo, título ou derivativo agrícola, ou ainda como recomendação de investimento, mas sim, deve ser entendido meramente como opinião pessoal na data da sua publicação.

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