Exportação de carne para China: um tema para governo (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 29 de Outubro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Foi a última semana de outubro, mas pareceu quadrilha de São João: olha a abertura China! É mentira... Resultado: euforia na terça e melancolia nos dias seguintes. Ficou de uma vez ratificado que esse buraco é “beeem” mais embaixo: é um assunto de governo!

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Sendo repetitivo, mas totalmente necessário, reafirmo:

1)    Até alguma confirmação oficial do governo brasileiro aparecer, eu continuo dizendo que ninguém tem certeza de nada com relação ao que ocorrerá com a “China off”. As datas “mágicas” que apareceram como possíveis de abertura, caíram por terra uma a uma (mas claro, já existe uma próxima no radar);

2)    A questão é uma estratégia do governo asiático que pode perfeitamente ser resolvida de imediato ou apenas em 2022 (ninguém sabe a hora da “canetada”), basta que os interesses governamentais e comerciais se alinhem. A China passa por um momento de crise financeira, energética, imobiliária, sendo que no início de novembro (08 a 11) haverá uma reunião do Partido Chinês muitíssimo importante que ocorre raramente (a última foi há 40 anos). As estratégias da política governamental das próximas décadas serão definidas nos próximos dias. Clima absolutamente tenso;

3)    A maioria das sinalizações técnicas e comerciais colhidas nas conversas entre ambos os países não apontam para uma solução de curto prazo pois a decisão vai muito além da questão técnica sanitária, ao que parece. O Brasil tem respondido tecnicamente tudo que lhe é questionado, de pronto;

4)    A decisão sobre o estoque de carne certificada antes de 04/set que permaneceu em solo brasileiro, adicionado do estoque no mar e do estoque nos portos da Ásia continua sendo mais importante do que o retorno efetivo da China às compras de carne (dado o volume absurdo de carne envolvida e as suas particularidades de processamento, de embalagem, etc);

5)    O pano de fundo que justifica essa morosidade no retorno à importação por parte da Ásia, são (dentre outras) questões comerciais, tal como a necessidade de suporte governamental à principal proteína chinesa (suíno). Os atuais preços baixíssimos do porco são um veneno para o suprimento futuro e a soberania alimentar deles por desincentivar a produção industrial. O foco agora é socorrer o “filho mais importante”;


6)    Como pontos positivos para o tema, vistos nas últimas semanas, vemos o maior envolvimento do governo brasileiro (em todas as suas esferas), de maneira direta e aberta no assunto, além do forte interesse do importador Chinês para que tudo se resolva (visto as grandes cifras adiantadas aos frigoríficos do Brasil e a possibilidade de lucrar com a nossa carne, pois o mercado chinês está em pico de preços). Ninguém gosta de deixar dinheiro na mesa.

Para finalizar, penso que a melhor estratégia para o setor da proteína bovina é agir como “mineirinho”, ou seja, comendo pelas beiradas, avançando no diálogo bilateral de mansinho e bem quieto. Enquanto isso, tratemos de tocar a vida sem a China como um mercado aberto, adaptados à essa nova condição. Como dizia meu avô: “não tem uma Maria só no mundo”! Até a próxima!

Rodrigo Albuquerque

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