Eu não disse que o boi ia fazer história? (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 8 de Janneiro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Algumas frases definem o mercado da arroba, são elas:
1.    o volume de boi gordo que existe em confinamento, em nível Brasil, “não dá para quem quer”; As fêmeas gordas de pasto não existem: ou estão na reprodução, ou estão magras (sem pasto); Bois de pasto, apenas começam a aparecer com algum volume a partir de março;
2.    estamos atravessando a pior transição seca/águas das últimas décadas (pasto virou insumo para profissionais);
3.    o abate (atual e futuro) extremamente reduzido, enxuga o mercado, aliado à exportação em nível basal mas constante. Resultado: falta produto na ponta final e o preço da carne sobe. Os frigoríficos menores conseguem margem e avançam no macho (não há vaca disponível), forçando os grandes a ir na “mesma tuada”.
4.    diferentemente do início de novembro, não há nem um ínfimo volume de oferta represada. E como o boi não é frango, não tem como normalizar num estalo de dedos.

Todas as frases acima foram ditas no último final de semana. O cenário é o mesmo, “sem tirar e nem por”. Os itens apenas acentuaram de intensidade nos últimos sete dias...

O mercado pondera muito como será a demanda interna na segunda quinzena de janeiro. Eu acho que faz sentido se preocupar com isto, mas será que haverá mesmo alteração negativa na demanda? O “coronavoucher” não existe mais, mas há uma inércia desta injeção de liquidez na economia. Quer uma comprovação? Procure um pedreiro ou marceneiro. Os “600” não vem mais, mas eles ainda pingam na economia.

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E outra: será que a demanda cai no seu todo? A demanda externa começa a dar sinais claros de que está voltando antes. Se pensarmos no lead time para a carne chegar na China após o ano novo local, concluímos que o perído de produção da carne que chegará lá depois dos quinze dias de feriado deles (de 11/fev a 26/fev), já está iniciado. O dólar acima de 5.30 ajuda muito...

Contatos relatam estoques internacionais de carne baixos (em vários países), preços em alta e contratos de entrega atrasados. E para completar, a oferta assume contornos dramáticos, estando nos níveis mais baixos dos últimos 5 anos.


Difícil acertar onde será o próximo ponto de equilíbrio do mercado. Muitos sonhavam com os R$ 280,00 em SP, que ficou no retrovisor. Penso que os próximos candidatos sejam os R$ 285, já chamando os R$ 290,00.

A maior fraqueza desse novo movimento de aquecimento (em minha opinião) é a brutal magnitude da falta de oferta. Em outras palavras: para quê pagar mais pelo boi, se ele não existe mesmo? Eu avisei: “o início de 2021 (janeiro a março) será cravado na história da pecuária”!

O mercado vai dar oportunidade para proteger a safra, olho atento! Até a próxima semana!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:



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