Está (quase) impossível ler o mercado (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 15 de Outubro de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Ao final de mais uma sexta-feira, eu me vejo lendo o que eu anotei no meu caderno, relembrando o que mais me chamou a atenção em cada um dos dias dessa tensa semana. Disse no último MiniFront: “até que o retorno das vendas ... para a China seja concretizado, o mercado futuro tende a permanecer extremamente volátil e o físico ... ficar sob pressão”. Foi exatamente isso que vimos!

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A semana foi muito pesada no mercado físico, com uma perda de aproximadamente R$ 10,00/@. Esse nível de perda foi espelhado de perto no mercado futuro, comparando o fechamento das duas últimas sextas (08/10 x 15/10). Resultado: o pecuarista ficou em situação totalmente desconfortável. Um boi magro colocado no cocho foi transformado em uma bezerra, essa foi a colheita de alguns.

Chegaram notícias ruins vindas da China com relação à não autorização da alfândega para o recebimento da grande quantidade de contêineres enviados pelo Brasil com B.L. (conhecimento de transporte marítimo) emitido após 04/setembro. Isso deixou os frigoríficos exportadores em estado de tensão total. As cargas vão chegar em quantidades maiores nos próximos dias. Há total indefinição (ainda) sobre o que vai ocorrer com esse tema, de modo que esse grande estoque de carne que chega na Ásia é, de longe, a principal preocupação da indústria.

São raros os momentos em que vemos pecuaristas e frigoríficos exportadores partilhando dos mesmos sentimentos (no caso em tela, tensão, incerteza, pressão). Os últimos dias tem sido assim... vou lembrar deles até o final de minha luta na pecuária.

De outra sorte, estão os (poucos) frigoríficos de mercado interno que conseguem vender carne em volume razoável no atual ambiente macroeconômico (são os que tem as melhores carteiras de venda). Claro que existem os frigoríficos de MI que estão passando extrema dificuldade... Mas os que se diferenciam, principalmente no quesito comercial, desfrutam de uma margem excelente, afinal de contas a arroba caiu 13% e o atacado apenas 4%.

Em algumas regiões esses pequenos começam a incomodar as grandes indústrias, pois como essas seguem com o pé no freio dos abates e seu espaço começa a ser ocupado. Mais ou menos como um enxame de abelha que começa a incomodar os grandes ursos. No devido tempo, elas vão fazer os ursos se mexerem. Isso é mais verdade ainda em regiões do Brasil em que não há a cultura do confinamento (há relatos de locais até com aquecimento da arroba, como em dadas regiões da Bahia). O Brasil é um continente de múltiplas realidades...


Outra coisa que chama a atenção é o valor da arroba em dólares, orbitando entre US$ 48 a 49 (caiu de US$ 65 numa paulada só). Isso fez a nossa carne ficar fortemente competitiva no cenário internacional. Penso que não por acaso, o Egito voltou às compras (também tinha suspendido, após as EEBs atípicas) e o mercado americano ganhou destaque nas vendas. Entretanto, é óbvio que o volume de outubro deverá exibir números muito mais modestos de embarques para fora do Brasil (pelo peso da ausência China na conta).

Finalizo, dizendo que até o fechamento dessa edição, não havia absolutamente nada de concreto sobre o retorno China, assunto que é na nossa ótica, muito mais uma questão dos governos envolvidos do que de mercado. E como depende de uma “canetada”, isso pode resolver amanhã ou apenas em 2022. Devo ressaltar, entretanto, que as sinalizações colhidas não são positivas quanto a uma volta da China às compras de maneira imediata.

A verdade é que o mercado trabalha em cima de suposições, que ora pendem para o mais sombrio pessimismo e ora miram para um sopro de otimismo renovador. Sem fatos concretos, está (quase) impossível ler o mercado. O que fazer então?

Nestes momentos, costumo dar ouvido aos sentimentos vindos sei lá de onde (coração?!). Eles parecem me sussurrar que a faca que caiu pode estar chegando perto do osso, embora a frieza da razão me sugira que ela possa afundar mais.

Até a próxima! Rodrigo Albuquerque

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