Ei, safra?!? Cadê você, eu vim aqui só prá te ver... (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 23 de Abril de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Estamos vivendo dias interessantes, únicos em termos de mercados de commodities. Algumas coisas chamam a atenção... Vamos usar o esquema da “listinha” dos 10 tópicos que eu fiz na semana passada e que acho que ficou bacana. O que estou vendo e reforço? Segue...

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1.    Escalas andaram melhor em várias praças e digo mais: só não andaram mais em alguns casos porque a indústria não quis. Invariavelmente, onde andou bastante, é onde tem parceria. Quem tem menos parceria não está confiante que a “roda vai continuar livre” e não descarta tirar o time do recuo de balcão de campo. Os testes de preços menores no físico começaram na terça, timidamente (R$5/@ ou menos) para alguns. Para outros, ainda não...

2.    Estou vendo a máxima especulação climática da história no milho. Não bastasse a seca adiantada, o frio atinge a safra americana causando incerteza sombria. Dessa sorte, vimos o dólar derreter na quinta e ao mesmo tempo, o milho subir forte. A maior parte da alta do cereal está no retrovisor mas não estou conseguindo ver alívio. Ano de comida cara e não vejo razoabilidade em acreditar que isso atenuará substancialmente;

3.    Lado a lado com a comida, considero muito improvável a reposição dar alguma folga, pelo contrário, segue firme igual uma rocha. E considero que 2022 vai no mesmo trieiro;


4.    Dado que a comida e a reposição não aluem (“são contantes na equação”, como disse um amigo meu), só resta ao bovino seguir a sua toada, segundo semeste afora;

5.    Escala andou? Sim! Mas não tem boi barato nelas, isso é fato. O que tem de boi mais em conta na agenda de abate, ainda é muito, muito, mas muito pouco mesmo;

6.    Não há uma onda nacional de entrega de boiadas varrendo o Brasil e ofertando gado. A coisa ainda está pontual. Tanto é verdade que os diferenciais estão bagunçados. Um exemplo? O MT teve nos últimos dias negociações sem diferencial de base com SP;

7.    Conversando com pelo menos três fontes, a informação é a mesma: a demanda chinesa por carne bovina está melhorando. Evidente que o dólar na casa dos 5.50, trás alguma alteração de competitividade, mas o mundo vive um momento de carne rara, que se traduz em carne cara. Testaremos as máximas da nossa arroba em dólares, penso eu;

8.    Vejo a caixa de ferramenta dos frigoríficos aberta... tem indústria que usará muita estratégia para tentar “massetar” o bovino (parceria para frente, compra SPOT, joga parceria para trás e assim vai), um malabarismo danado. No frigir dos ovos, a safra está vindo com cara de que tem que fazer uma força desproporcional para tentar mexer em preço, numa fase em que isso deveria ser tão fácil quanto empurrar bêbado na ladeira;

9.    Quer unanimidade? Pergunte aos frigoríficos o que ocorrerá após maio: "seja o que Deus quiser" é uma resposta recorrente, com empresas pequeno, médio e grande porte;

10.    Direto e reto: “baixou, compra”! Minha opinião...

Serviço de utilidade pública de trade: alguém aí poderia esmagar esse maio e junho na B3, por favor, kkkkkkk? Por fim... Certezas? Não as tenho... As dúvidas são as minhas melhores amigas. Até a próxima! Saúde, saúde, saúde, Rodrigo Albuquerque!

Obs.: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/compra de qualquer ativo ou derivativo agrícola, mas sim como opiniões pessoais, compartilhando algumas vezes nossa própria carteira de investimentos.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:


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