E o boi: será que agora vai? (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 3 de Agosto de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Eu sou são paulino, daqueles doentes. Estou me perguntando: será que agora o São Paulo vai, com o Daniel Alves e Juanfran? A questão é a mesma para a arroba: será que agora vai? E já tem dias que a pergunta é esta, exatamente a mesma...

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
A média Brasil da arroba subiu um “cheirinho” na semana: foram R$ 0,16 a mais, finalizando em R$ 145,54 a prazo/livre e interrompendo uma sequência de 3 semanas em queda (vaca média Brasil ficou em R$ 135,18/@ a prazo/livre, deságio de 7.1% - Scot/IBGE adaptado).


É a concretização do cenário de estabilidade, o nosso mais cotado destino de curto prazo, segundo os percentis do BeefRadar (disponibilizado semanalmente para os assinantes). Ah, mas não tem um viés positivo no ar? Resp.: sim, certamente. Mas, parece que está faltando um tempero para a coisa deslanchar, se é que você me entende...

Precisávamos de um choque de oferta, ou seja, de falta dela. Acreditamos que a oferta de agosto deve ser menor que a de julho. Mas, resta saber se o será na intensidade que o mercado precisa para mudar de patamar. Não está parecendo... Além disto, também é necessário um choque de demanda, fato que estamos esperando há meses (nem vou dizer qual é, apenas digo que está ligado a um certo País do oriente, rs).

Enquanto os fatos acima não vem, o futuro vai se tornando cada vez menos “futuro”, ou seja: a referência, out/19, em menos de 60 dias se tornará mês presente... Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Estamos vivenciando um momento de diferencial de base entre SP e o centro-norte, p.ex. TO e PA, muito estreito. Devemos seguir assim por mais tempo, mexendo com as relações de preços históricas, como p.ex.: o boi do TO está R$ 4 a R$ 5/@ maior que o de Goiás.

3)    BEEFRADAR (desidratação do percentil de alta, em favor da estabilidade)
15% queda | 50% estabilidade | 35% alta

4)    HORA DO QUILO
“Pior do que treinar um funcionário e vê-lo sair, é não treinar e vê-lo ficar. Não dá para crescer 20% se as pessoas não crescerem 20%"  (Ricardo Jordão Magalhães)

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL

Está aí um conceito que temos que falar para todos, especialmente para as mulheres, em geral mais ligadas na questão de beleza corporal (principalmente as que já passaram dos 30/40 anos): quer diminuir a eventual flacidez da sua pele? Coma mais proteína! Quer trocar gordura corporal por massa muscular? Como mais carne... Veja: https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/adriana-miranda/2019/08/01/como-consegui-perder-gordura-sem-perder-musculos.htm

6)    O LADO “B” DO BOI
Elenco abaixo 10 fatos relacionados à arroba bovina de 2019, especialmente ao do curto prazo imediato. Eles estão totalmente ligados à resposta da enigmática pergunta do título deste. São eles:

1.    2019 é o ano mais difícil de traçar previsões que eu já vivi na pecuária. Nossa volatilidade está altíssima, para nossos padrões, mas ainda menor do que a carne no atacado, do que a soja, o milho, o frango, o suíno, o café, etc. Ou seja, boizinho: bem vindo à vida;
2.    Você lê frases em grupos de produtores, do tipo: “o frigorífico X já fechou o ano”; “será que tem vaga para abate em setembro?; “o frigorífico Y está precisando de boi para amanhã”. Detalhe: estas frases, absolutamente antagônicas, são ditas praticamente em sequência;
3.    Uma não resposta, por vezes, é quase tão ruim quanto uma resposta negativa, especialmente se a “não resposta” for longamente esperada. Ex.: aumento de plantas habilitadas para exportação à China. A não resposta deixa o mix de venda da indústria totalmente incerto e isto cobra as suas consequências;
4.    O nível mais baixo do dólar pesa também e exige como compensação, o acesso a melhores mercados, como os EUA e China. Mas será que estas novelas tem fim?
5.    O mês de agosto está menos “folgado” com relação às escalas. Elas estão mais curtas e encurtando, especialmente no centro-norte do País (do Tocantins, para cima);
6.    Desde o início de maio, o mercado interno piorou muito, especialmente no mês  de julho (agravado pelas férias escolares). Haverá melhoria agora, com a virada de mês seguida do Dia dos Pais, uma data excelente para venda. Entretanto, este movimento de recuperação não me parece sustentável;
7.    A oferta de animais terminados oriundos de sistemas intensivos de produção (principalmente dos que dão ração à pasto) está muito resiliente e aparentemente não foi afetada pela forte correção de cotações que o milho vivenciou, apesar do recorde de safrinha produzida. Todo mundo quer produzir mais... Aí a mercadoria não falta...
8.    O famoso e polêmico “boi de contrato”, está sendo usado com extrema inteligência pelas empresas de abate. Alguns lotam antecipadamente mais de 50% das escalas e saem testando o  mercado, agendando apenas o “abate dos amigos e parceiros”;
9.    A reposição está firme e forte, não se importando com a chegada da parte mais seca do ano;
10.    As características dos seus animais são cada vez mais protagonistas no momento da venda, tais como sexo, idade, acabamento, etc. Tem gente ficando sem liquidez.

Os 10 pontos acima listados embasam o que foi dito no início deste: precisamos de um choque de oferta de gado, FORTE, para fazer o boi “aluir”. Ainda esperamos isto para agosto... E esperamos também o choque de demanda! Obs.: você já sabe do quê estou falando...

Caso ambos venham nas próximas semanas, o boi pode dar uma animada geral no mercado físico e na B3. Mas estamos numa corrida contra o tempo, pois o futuro começa a não ser tão longínquo assim, logo começa a ser um lugar inóspito o ágio da curva futura com relação ao atual Indicador Esalq/B3.

Em resumo: se for para “aluir”, há que começar logo! Ou será que o ipê amarelo vai falhar desta vez? Até a próxima semana!

Fotos em destaque: fotos frutos de uma jornada em Goiás à cavalo. E que me desculpe o drone (que tem seu lugar e ganhará mais espaço), mas nada é mais adequado para ver uma fazenda do que um bom cavalo. No lombo dele, você não apenas vê, mas enxerga a propriedade!

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