Dez valiosos mandamentos sobre finanças - parte 1 de 2 (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 23 de Novembro de 2018

Companheiras(os) que carregam o pó da viagem,
Todo mundo tem as suas referências. Compartilho algumas das minhas, neste!

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Os assinantes do Front receberam a informação na sexta-feira passada (16/nov) de que havia “um bom indício que uma recuperação (leve ou talvez moderada) podia começar a aparecer no radar do curto prazo”. Ela veio a cavalo. No relatório Boi e Cia da Scot, a lista das praças em ajustes negativos, quase “passou batido” (há apenas leves recuos pontuais, como sul de GO, Dourados e Campo Grande no MS, bem onde a chuva propiciou pastos verdes mais cedo).
Na maior parte do País o boi gordo está igual a cabelo de careca: é pouco ou não tem (pouco dos lados e não tem em cima). Ou seja: o boi de confinamento é pouco e o de pasto não tem. As escalas despencam em algumas praças... Em geral, os preços ainda estão lateralizados, mas algumas localidades, já exibem importantes correções positivas (Triângulo mineiro, BH, norte de MG se somam ao RS nesta categoria). Com isto, recuperamos R$ 0,64/@ na média do boi gordo do Brasil, voltando ao patamar de R$ 141,07/@ a prazo e livre (dados Scot/IBGE adaptados). Desde a virada de setembro para outubro não tínhamos uma variação positiva desta magnitude.

Pode ir mais? Sim, há margem para isto, represada na mão do frigorífico com a recuperação das últimas semanas do atacado (várias consultorias apontam que este aquecimento não chegou ao consumidor, tendo sido “bancado” pelo varejo, que decidiu reduzir suas margens). Isto é bom porque sinaliza que o consumo poderá seguir a sua tradicional trajetória de recuperação, frequente no último bimestre após a injeção de glicose na veia da economia (décimo terceiro). A exportação segue com bons números. Enfim, melhorou (com moderação) o tom da prosa! Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“Você gostaria de ir em alguns eventos, mas não consegue sair da rotina de trabalho, não é mesmo? Sim, eu sei. Mas, a ida a eventos, vendo novas tecnologias, pessoas, exemplos é parte do seu trabalho. Existem muitos eventos? Sim! Estabeleça as suas prioridades. Ir ou não ir, nunca é uma questão de estar ou não com tempo, mas sim uma decisão”!

3)    BEEFRADAR (mais reforço para a estabilidade/alta)
15% queda | 40% estabilidade |45% alta

4)    HORA DO QUILO
“Os melhores negócios são os que combinam paixão, propósito e lucro” (Tony Hsieh, fundador da Zappos). Qual dos três é presente na pecuária?

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Rendimento de carcaça, sempre polêmico! Segue um posicionamento do Prof. Jose Neuman Miranda Neiva, UFTO. Vamos formando os nossos conceitos... Sempre é importante ouvir todos os lados para você formar o seu conceito, que é o que mais importa:
https://www.youtube.com/watch?v=8Y0nbm9QOuE&feature=youtu.be

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
No título deste Front, coloquei a alcunha de “mandamentos” nos valiosos ensinamentos a cerca de finanças publicados há alguns meses pelo Felipe Miranda (Empiricus), para dar um ar mais “bíblico” ao conteúdo, tamanha a sua relevância. Diria que são ponderações que carregam muito pó da viagem (e/ou poeira do asfalto da Faria Lima em SP?). Valem para investimentos e também para os demais aspectos da vida... Eles são bastante densos, portanto, vamos usar a estratégia do esquartejador e dividí-los em duas partes. Aproveite:

1. “O mundo é ininteligível... A tarefa não é tentar entender o mundo, as forças que o regem, modelando a vida para fazê-la caber numa planilha de Excel capaz de nos antecipar o futuro. A realidade é muito mais complexa do que qualquer inteligência natural ou artificial pode supor. Você nunca, e também nunca, saberá o que vai acontecer. Em termos práticos, só lhe resta perseguir assimetrias, fazendo cálculos de Valor Presente Líquido para os vários cenários possíveis. Se você perde pouco no cenário negativo e ganha muito no caso positivo, aquilo provavelmente vale a pena. Aposte centavos para ganhar dólares, nunca o contrário”;

2. “Opiniões valem muito pouco. Se você acha uma coisa, formule uma hipótese que seja falseável e a submeta ao teste. O dado manda. Procure consubstanciar suas decisões em dados — apenas neles. Se você não está conseguindo, talvez haja algo errado. Não entre em discussões para querer ganhar ou estar certo. Dialogue com a mente aberta tentando descobrir a verdade. Em decisões financeiras, tente deixar os dados concluírem que aquilo é um bom investimento, blindando-se dos próprios vieses cognitivos. Você não precisa estar certo, você quer ganhar dinheiro”;

3. “O liberalismo pode ser imperfeito, mas não há nada melhor. Ele deve valer como princípio e valor, ou seja, precisa ser universal. Vale para a gestão de política econômica, vale para os costumes. Nada pode estar acima da liberdade. Mas há algo pouco comentado sobre as vantagens do liberalismo: sem um ente central ditando o que as pessoas e as empresas devem fazer, alimenta-se a possibilidade de várias tentativas descentralizadas com perfil de retorno convexo. Ou seja, em que perde-se pouco se der errado e ganha-se muito estando certo. Pense no caso de várias startups. Ninguém sabe ao certo onde vai chegar, mas vai tentando de maneira descentralizada e uma, de repente, vira o novo Google. O conhecimento evolui por tentativa e erro, por serendipity e pelo tinkering predominantemente. Não puna o erro. Puna quem não aprende com ele”;

4. “A sorte cumpre um papel fundamental na vida. E preciso caracterizar adequadamente o que quero dizer com sorte. A sorte nada tem a ver com predestinação ou coisa parecida. Você aumenta sua chance de ser premiado com algum evento aleatório positivo incrementando seu nível de exposição. Tente, tente, tente. Trabalhe, trabalhe, trabalhe. Uma hora a sorte vai atingi-lo em cheio — não se incomode com todos gritando “sortudo”, eles não sabem das outras 2.978 vezes em que você deu azar. Iludidos pelo acaso. Nas finanças, compre de maneira diversificada uma porção de coisas (muitas e muitas) que podem subir muito. Uma delas vai se multiplicar por um fator grande e você pode ficar rico... opções fora do dinheiro, startups, terrenos em praias isoladas do Ceará. Qualquer coisa que vale zero hoje, mas pode valer zibilhão no futuro”;

5. “Brilhantismo pessoal é o grande diferencial. Processos, tecnologia, governança … tudo isso é importante. Para mim, porém, o que realmente muda o jogo são boas pessoas... Deixe-me corrigir: não falo de pessoas apenas “boas”. Refiro-me àquelas realmente capazes de fazer algo extraordinário, do tipo de gente que você percebe uma excepcionalidade lendo um parágrafo de sua escrita ou conversando por dois minutos na mesa de um boteco. Às vezes, basta um olhar dentro do olho. Aquelas pessoas cujas almas parecem habitadas por uma multiplicidade de sensações, desejos, citações, ideias, vidas. Gente interessante e interessada... Do ponto de vista individual, leia ao menos um livro por semana. Ideias consensuais levam a retornos consensuais. O extraordinário depende de brilhantismo”;

Traduzindo para a nossa seara, a pecuária, consolido a minha opinião sobre os cinco pontos, na sequência: 1 – resume um dos meus mantras na comercialização de gado, que é a famosa frase do Prêmio Nobel Paul Samuelson: “o futuro é sempre opaco”. Um olhar mais perfunctório diria então, que o planejamento é desnecessário. Ledo engano. Há se que se ter um plano, devendo-se “segui-lo quando possível e adaptá-lo quando necessário” (ensinamento de Maurício Palma); 2- verdade inabalável: “quem não tem números não tem nada”, como disse o Antônio Chaker em um podcast recente comigo; 3 – é muito comum encarar o erro como inimigo no mundo corporativo e nas fazendas. O erro deve ser encarado como amigo... como eu disse estes dias: para quem lhe sobra o medo de errar, também lhe falta a coragem de acertar. Apenas sugiro que se for para errar, erre logo. O problema não é errar, é errar continuamente e desperdiçar a valiosa chance de aprendizado proporcionada por ele (alguma coisa lhe lembrou da Dilma?); 4 – sólido entendimento na maioria das vezes também negligenciado nas fazendas... Apenas queremos fazer algo, quando temos 100% das informações. Como nunca as temos, não jogamos... não fazemos... não nos ofertamos à “sorte”. Em resumo: só marca gol, quem está em campo; 5 – quem sabe o valor que tem um bom peão de gado num curral, entendeu facilmente este ponto. Dispensa comentários.

Gostou? Nos próximos dias virá o restante! Obs.: estarei de férias com a família entre 23/11 a 06/12. As postagens estarão “menos densas”, pois equilíbrio é a palavra da vida! Mandarei notícias dos EUA, obviamente, focando a nossa carne! Até a próxima semana!

Foto da semana: imagens durante minha estada e palestra na Intercorte – etapa SP. Contribuíram para as fotos os amigos Thiago Fortunato, Toninho da TV Agronegócio, SBT de Goiânia e o “Tavinho” da Terra Viva, Band SP.

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