Desta vez, a perda de liquidez pode ser bem diferente (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 2 de Junho de 2018

Companheiras(os) que carregam o pó da viagem,

Aos poucos a ficha vai caindo, com o fim da “delação do caminhão”. O que pode ocorrer no mercado, nos próximos dias? Bom, se nada de inesperado ocorrer...

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

Tudo indica que o “Boeing” da proteína bovina do Brasil (cerca de 109 unidades), volta a operar “com motor cheio” entre 01 a 04/jun, contabilizando entre 8 a 11 dias, praticamente estagnado. No fechamento do Front, era o que aparentava. Ainda não temos balizamento de preços suficientes para publicar o Painel de Bordo, nem a variação da média da arroba no Brasil (dados Scot/IBGE). Qualquer informe que ouse publicar valores apurados num ambiente sem muita liquidez, pode desagradar gregos e troianos. Não vamos cometer esta heresia. A manutenção dos valores da semana passada é a única saída prudente. Que o diga quem viveu na BMF o período de liquidação de maio furacão desta falta de liquidez. Portanto, segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”

“O cerne dos preços pecuários são formados na fronteira do atacado e do varejo. E aí está justamente a maior diferença entre a perda de liquidez de agora, frente à ocorrida em 2017. Este é o fiel da balança! Entendeu? Nem atacado, nem varejo, nem exportação perderam a fome”.

3)    BEEFRADAR (redução da chance de queda no curto prazo)
20% queda | 40% estabilidade |40% alta

4)    HORA DO QUILO
Seja bem vindo à era da “pós verdade”, descrita pelo dicionário Oxford como “relacionar ou denotar circunstâncias nas quais os fatos objetivos têm menos influência em formar a opinião pública que os apelos à emoção e crenças pessoais” (agradecimentos ao Alcides Scot e ao dicionário pelo ensinamento).

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL

Ficam três pontos fundamentais, desta celeuma que foi a “delação do caminhão” (um jogo de perde-perde, onde serão rateados R$ 75 bilhões de prejuízo aos participantes, nós mesmos, os brasileiros que trabalham, o que não inclui a maioria dos que servem aos 3 poderes):

1.   O problema “raiz” não foi discutido, ou seja: o “setor público não cabe mais dentro do privado”, como disse sabiamente Pedro de Camargo Neto. Esta agenda não entrou na cabeça de quem está nos três poderes (o que é natural) e nem da sociedade (o que é inaceitável, inadmissível, imcompreensível e inimaginável). Agenda reformista urge;
2.    O País sofre da mais absoluta carência de líderes, complicada por um nível medíocre de escolaridade do seu povo. A nossa média é baixa ao extremo;
3.    Vivemos a era da pós verdade, turbinada pelo zapzap/redes sociais, repletos de fakenews e robôs incansáveis. Não é só mais a mídia da TV/jornais que pode te influenciar. Você precisa ter um filtro muito grande para formar uma opinião responsável e disseminar o que é produtivo! Estas “armas”, ainda novas para a sociedade, podem influenciar os rumos de uma nação. Cuidado!

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA

Dá para estimar seguramente, um período de até 6 meses para que o setor de proteína animal do Brasil opere 100% na normalidade. Não tenho dúvida que alguns seguirão com reflexos negativos por até doze meses (ex.: leite/ovos). Algumas crises de liquidez financeira podem ser antecipadas pelo movimento ocorrido, fato! Ajustanto o foco para o nosso braseiro, vamos dissecar os possíveis impactos da “delação do caminhão”, elo a elo da cadeia pecuária.

Na base da cadeia, os produtores de cria/recria, tendem a ser os menos afetados, apesar da liquidez dos negócios e da difuldade de abastecimento vivida. Dificilmente o ciclo produtivo, mais extenso, ficará comprometido. Vejo um resultado de neutralidade nos preços, com possíveis turbulências iniciais, apenas leves.

Na sequência, os invernistas, têm além do atraso de faturamento, um maior impacto no ciclo produtivo (falta de insumos), visto que a engorda é a última demanda atendida pelos seres vivos. Em períodos de restrição alimentar, o acúmulo de gordura é cortado pelo “facão derrissador” da fisiologia básica, de modo que o ciclo produtivo pode ficar todo comprometido. Teremos postergação/redução de oferta, fato positivo para a arroba no médio prazo.

No foco de curto prazo, caso tenha havido um nível de represamento de animais terminados muito elevado, concomitante com decisões de vendas concentradas no retorno das vendas, pode haver pressão. Mas, como não temos oferta de confinamento, nem excesso de fêmeas, podemos caminhar mais para a postergação da alta (que já vinha nascendo), do que para uma onda de pressão. Continuo mantendo a minha aposta, no máximo, para a primeira hipótese (os primeiros preços noticiados apontam para manutenção dos valores “pré-greve”). De toda a forma, o comportamento dos pecuaristas em termos da velocidade que voltarão a ofertar, passa a ser vital. Se forem com muita “sede ao pote”, darão de bandeja a oportunidade que o atacado espera porque as indústrias terão que prioritariamente abater o volume já escalado, antes de voltar a comprar. Reforço: os primeiros preços, liberados por quem não tinha muita escala e conseguiu liberar as câmaras frias, vieram sem qualquer pressão negativa.

O elo seguinte, o atacado (frigoríficos) vai ficar assanhado para repassar os incalculáveis prejuízos para o “lombo do bovino”. Mas... será que terão esta oportunidade? Será que não será mais importante colocar pressão na turbina do Boeing e colocar ele “no ar“, rápido? Ou seja, voltar a abater “cheio”, e abastecer o mercado externo para evitar a perda de imagem e de contratos? O valor do dolar e a elevada competitividade de nossa carne, podem pesar a nosso favor, fato positivo para os preços da arroba no curto/médio prazo, portanto.

Voltar a abastecer o mercado interno também deve ser o lema da indústria, tão logo ela consiga “desemtupir o sistema” (desossa/câmaras frias, porque “tem que sair para poder entrar”)! O mercado interno, este sim é o preponderante na determinação do futuro dos preços, como disse a Mãe Dinah (inspirada no Wedekin), certo? E aqui está a grande diferença entre os fenômenos de perda de liquidez de 2017 e 2018: este ano, o consumidor não está com medo de voltar ao consumo (apesar das fakenews veganas incitarem à parada do consumo por riscos de conservação das carnes refrigeradas). No curto prazo, o atacado deve manter-se no “trieiro” da alta, onde vinha vindo, visto que o varejo está ávido para voltar a vender, pois ambos perderam a principal semana de maio do ponto de vista negocial. Nada pior do que estender o problema! O desabastecimento parcial visto em boa parte do País deve manter a rota de alta do atacado (que já tem dois meses sem pressão) e do varejo. O atacado, começa soltar alguns preços em alta. Ambos são positivos para a arroba no curto/médio prazo.

Na sequência da cadeia, vemos os concorrentes (suíno/frango). Fica evidenciado que o ajuste negativo de produção que estava em curso, foi catapultado! Fala-se em perda de 7% do plantel de frangos do Brasil. A Scot Consultoria citou um aumento de 35.5% na carcaça do atacado do “canela amarela”. O suíno vai na mesma linha, menos impactado proporcionalmente. Até o ovo, o único que escapou da crise econômica 15/16, teve alta expressiva e perda de matrizes importante. Isto é muito positivo para o preço do atacado bovino, principalmente do dianteiro, e potencialmente, para a arroba no curto/médio prazo. Além disto, pode haver um “efeito rebote” positivo no milho, arrefecendo a demanda do setor de monogástricos. Pouca influência provável (pois quem manda no milho, agora é o clima), mas caso haja, será positiva para custo de produção do bovino (redução).

Qual o lado negativo da “delação do caminhão”? Resp.: é o impacto na economia, afinal de contas, convulsão política reflete em dificuldade econômica imediata. Menor crescimento, dolar mais volátil (para cima), juros interrompendo queda... Menor poder de torque na arrancada econômica, deve nos limitar o potencial máximo de recuperação de preços da arroba no médio/longo prazo (segundo semestre).

Nossa rota de preços junho/dezembro, já sinalizava positiva. Os fundamentos não mudam e, portanto, a rota deverá ser a mesma: ascensão de preços! Na volta dos abates podemos ter pitadas de turbulência, mas não necessariamente pressão! Sinceramente, acredito inclusive que possa ocorrer uma antecipação de níveis melhores de preços no curto prazo (em algumas praças).

De outra sorte, a autofagia econômica causada pelo “movimento da boléia” tem potencial para reduzir o nível máximo de preço que poderemos alcançar no segundo semestre, em função da complicação econômica/política que criamos para nós mesmos.

Certeza? Fora a certeza de que todos perdemos (não há o que comemorar), fora as PUTs compradas e fora a opacidade do futuro, não possuo nenhuma! Até a próxima semana!

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