Como aproveitar a alta da arroba (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 16 de Novembro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Está posto que a arroba decolou. A pergunta que não quer calar agora é: como “não deixar este dinheiro em cima da mesa”? É disto que tratamos neste Front Premium.

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
O poder da negociação do boi gordo mudou de lado, de modo que o produtor coloca preço na sua mercadoria. Em outros tempos, dado a restrição de oferta, os frigoríficos já teriam “aberto a caixa de ferramentas”, restringindo abates, dando férias coletivas ou pulando escalas, etc. Mas parecem não poder fazê-lo por ora, dado à brutal demanda externa. Está parecendo que os frigoríficos estão encurralados. Venderam carne, e tem que honrar seus compromissos. Só resta comprar com preço “a negociar”. Alerto: não deve ser uma mudança perene de lado do poder na hora de negociar, pois os compradores são poucos e os vendedores são muitos. Recomendo aproveitar o momento, aos poucos, vendendo a produção pronta em “doses homeopáticas”.

2)    BEEFRADAR (manutenção do percentil de alta para a arroba)
5% queda | 10% estabilidade | 85% alta

3)    HORA DO QUILO
“Não estou comprando boi gordo. Estou pedindo aos amigos” (frase de comprador de boi gordo tradicional, nos idos de 2010. Revisitamos estes tempos).

4)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
O “desabastecimento” de carne teve início no varejo (agora esta onda avassaladora da arroba chegou na “arrebentação da praia” da ponta final), reduzindo a margem deste elo para um nível que eu jamais havia visto. Explico: em algumas praças não se acham cortes a preços que “cabem no giro comercial” das lojas, portanto, não há como se comprar a carne na prática (é o desabastecimento preço-dependente, onde até se acha o produto, mas por um preço que “não gira”). Iniciaram-se também os relatos de desabastecimento de fato, ou seja, aquele onde não se encontra parte da mercadoria desejada pelas lojas, mesmo pagando para cima... A onda “tsunâmica” de preços chegou aos telejornais de canal aberto, à preocupação da população simples e ao radar dos políticos. Não há escapatória, pois a carne não dá para quem quer, mas isto me preocupa, e muito. Há um enorme desafio de comunicação aqui...

5)    O LADO “B” DO BOI
Vamos ao tema central: ao se comparar os valores dos contratos futuros dos meses de 2020 com os valores médios mensais de 2019, vemos que há um acréscimo nominal de 32 a 38% em favor do ano vindouro.


O mercado futuro não deve ser usado como termômetro, porque 6, 8 ou 12 meses antes do vencimento, a chance destes contratos serem liquidados pelos valores ora apresentados em tela, é muito pequena. A bolsa serve portanto, para hedge e proteção, não para previsão. De toda a forma, a maioria enxerga a ferramenta como um retrato da perspectiva futura e esta situação acaba rementendo ao raciocínio de como se aproveitar esta alta, tema deste.

O primeiro que pode aproveitar a alta é quem tem o boi gordo disponível para venda. Adianto que são poucos em geral os agraciados desta condição (o preço decola justamente porque quase ninguém tem boi). Para estes “sortudos” (não acredito em sorte, mas não a dispenso), recomendo a venda em conta gotas, fazendo média para cima (sabendo que deixar de capturar parte da alta em parte da boiada, é bem diferente de perder). Quem está nesta situação, aproveita a onda de alta no curto prazo.

O segundo que pode aproveitar esta alta (na realidade, já aproveitou) é aquele que se encontra com a fazenda lotada de reposição, feita entre maio e setembro/2019. Quem está nesta situação, assim como na anterior, são os mais favorecidos em curto prazo. E, veja bem, são favorecidos por algo que fizeram no passado. Seu estoque está em franca valorização, a cria que o diga. Quem bom ver este elo ganhando margem na cadeia pecuária!!!

Outra possibilidade é usar a B3 para “estender” o aproveitamento do preço aquecido, fazendo-se hedge via mercado de opções, ou seja, compra de seguros de preços mínimos (as famosas “PUT”). Na prática, elas estão mais acessíveis para contratos entre dezembro a maio/2019, pois o enorme tempo para vencimentos posteriores, encarece os prêmios a pagar. Para vencimentos posteriores a maio, uma solução é a compra de PUTs para proteção do custo de produção, pois aí consegue-se prêmios acessíveis. Não recomendo a venda de opções por parte de pecuaristas de forma alguma.

Em adição, outra alternativa é o travamento do hedge direto com a indústria, configurando o tal “boi a termo”, nas suas diversas modalidades. Um alerta, entretanto: no caso do boi a termo com preço fixo, recomendamos compra de call simultânea para não deixar de capturar uma continuidade do aquecimento. Em geral, as indústrias estão mais receptivas para o termo do primeiro quadrimestre de 2020, mas há também negócios para meses posteriores.

Ainda pode-se usar o mercado futuro, entrando vendido para aproveitar esta alta (hedge da produção). Só lembro que tentar acertar o ponto de virada desta curva de preços é, em geral, doloroso em demasia, pois ninguém sabe até onde irá esta alta. Esteja ciente disto. Há que se ter sangue frio e caixa para ajustes negativos vultuosos. De fato, não recomendo isto para 99.99% dos produtores que conheço. Mas é uma alternativa que se põe.

Eu sei que boa parte dos produtores de recria/engorda vendeu antes da arroba atingir esta variações positivas históricas e ainda não repôs o gado do próximo ciclo produtivo, total ou parcialmente. Para estes, não tem remédio “gostosinho”... Tem que procurar o bovino, melhorando a eficiência de compra, numa espécie de força-tarefa emergencial, pois a onda esta sendo repassada para o gado jovem. Não é fácil pois o vendedor está retraído (com medo) e há sim pouco gado disponível em determinadas regiões do País. É o que se tem para hoje... Cuidado com o imposto de renda também, com este dinheirão parado na conta...

Outra alternativa é lançar mão de aluguéis de pasto que estão demandados em muitas regiões devido ao atraso da chuva, para diluir os custos fixos da fazenda sub-lotada. Prestação de serviço e parcerias de recria/engorda são alternativas sob a mesa também. Devem ser avaliadas com presteza.

Em suma, nem tudo são flores, mesmo durante uma curva de ascenção de preços, concorda? Isto endossa o meu lema: “vamos errar melhor da próxima vez”! Até a próxima semana!!!

Fotos em destaque: dia de campo do grupo Mulheres do Agronegócio Tocantinense (MAT), ocorrido no último dia 15.11.19, em Araguanã/TO, na Fazenda Aviação.

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