China: problema de demanda ou de logística? (Front - blog e podcast)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 8 de Fevereiro de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Poucas vezes na vida veremos tamanho grau de incerteza para previsão de cenários, como estamos vivendo agora. Vamos colocar o pé na peia?

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
A oferta de boi gordo está baixa porque não temos mesmo bois nos pastos, ou porque eles estão sendo represados? Entre os dois, fico com os dois. Tem pouco boi pronto e do pouco que tem, parte está represada em função das ofertas indecentes de preços.

2)    BEEFRADAR (percentil de alta mais reforçado)
15% queda | 25% estabilidade | 60% alta

3)    HORA DO QUILO
Abaixo de R$ 200/@ só se compra boi gordo no picadão. Do R$ 200 para cima, vai comprar muito? Veremos. Acho que vai comprar mais, vai melhorar a oferta, mas sem derrame. É o que penso.

4)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
A carne tem potencial para incomodar os políticos... O IPCA de 1.15% de dezembro, fora da expectativa, caiu para 0.21% em janeiro, e o principal motivo foi o retrocesso do preço da proteína vermelha. É a menor taxa para janeiro desde 1.994. Por isto uma curva agressiva da carne incomoda tanto o povo e os políticos. A mídia anunciava com veemência a alta da proteína, mas quase ignora a sua queda. Mal sabe que ela encarecerá novamente...

5)    O LADO “B” DO BOI
Quem se arriscar a falar alguma coisa do futuro de curto prazo da economia mundial pode queimar a língua, dado o mais alto grau de incerteza em função do tal coronavírus. Mas a gente não foge à luta... Lá vai nosso “pé na peia”!

Humildemente penso que temos em andamento algo como a greve dos caminhoneiros de 2018, porém expandida globalmente. Partes vitais da circulação de pessoas, mercadorias e produção chinesa estão paradas em função do gravíssimo problema de saúde pública.
Mas, dependendo da duração deste enorme desafio de saúde, ele tende a se tornar uma catástrofe de suprimentos, pois vários setores da economia mundial tem a China, como parte fundamental da sua cadeia de suprimentos.


Creio que o problema de importação menor de carne por parte da China, vivenciada atualmente, é hoje muito mais de logística do que de demanda. Só será de demanda se a economia daquele País ficar parada por muito tempo, entrando em colapso e colapsando a cadeia de suprimentos de vários países ao mesmo tempo. Não creio ser este caso, nem de longe. Posso estar errado, mas é o que penso. Basta lembrar a lendária construção de hospitais em dez dias. Este povo e seu governo farão de tudo para recuperar o tempo perdido. E eles tem bala na agulha para tanto, não duvide.

A verdade é que a “festa” de nov/19, foi grande e todo o tipo de comerciantes (importadores e exportadores, com e sem experiência) entraram negociando altos volumes como se não houvesse amanhã... O canhão de venda de carne do mundo mirou para a China. Acumulos infindáveis nos portos são relatados por pessoas do mercado, chegando a haver dificuldades até de se obterem contêineres disponíveis, dado enorme volume que haveria chegado ao país asiático quase ao mesmo tempo. Isto teria criado uma “ressaca”, que deve ser desembaraçada lentamente, vide a atual morosidade dos portos e na circulação interna.

Neste momento estamos talvez, muito mais com um problema logístico, que pode afetar a cadeia global de suprimentos de vários setores, dentro e fora da China. Em breve, o mercado de herbicidas poderá ser afetado (até no Brasil), mercado de eletrônicos, vestuário, etc... Olhe ao seu redor, tudo que tem “made in China” na sua casa! O problema de demanda (economia em declínio, chinesa e mundial) somente ocorrerá se a situação perdurar muito.

Penso que o número de doentes deve continuar subindo, porém com uma taxa declinante, para então depois estacionar. Mais países vão declarar os primeiros casos. Mas o número de curados já supera muito o de mortos e isto deve se acentuar. O rigor, vigilância e perigo deve continuar por muito tempo ainda, porém, meu sentimento é que o pior pode estar no retrovisor. No fechamento deste episódio, tínhamos cerca de 34.000 doentes e 2% de mortalidade.

No final das contas, penso que este problema trará dificuldades no curto prazo, enumeradas acima quanto à logística, mas não afetará a demanda do ano (que ocorreria com perdas econômicas graves e por muito tempo).

Penso que no médio prazo, este desafio tende a ampliar o potencial de importação da carne vermelha pela China em função de três fatores:
•    dólar mais elevado aqui (o que ocorre não só por questões relacionadas à China, mas também por questões internas, como nosso juro de 4.25%AA);
•    desestímulo ao consumo de proteínas alternativas (selvagens);
•    necessidade de aumento da margem de segurança alimentar na China (estoques).

O gosto pode ser amargo agora, mas adocicado adiante. O mais importante disto tudo: o mercado físico do boi gordo está se recuperando sem que ao menos um milímetro da solução do problema Chinês tenha se encaminhado. Este é um sinal extremamente positivo para o ano!!! Até a próxima semana!

Fotos em destaque: palestra em Cuiabá para a Silveira Consultoria, no Evento “Boi que deixa dinheiro”, ocorrido na última terça-feira, dia 04/fevereiro, em Cuiabá/MT; e a carne que não tem erro, da qual sou fã e sintetiza o trabalho do amigo Roberto Barcellos.

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:


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