Centro-Oeste com a chuva do Pará. Qual a consequência nos preços? (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 10 de Maio de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

“Este ano é diferente”... Frase muito usada no mundo corporativo para iniciar uma reunião de apresentação de resultados. Tudo a ver com o universo pecuário de 2019.

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Sabe quando o jogo começa e aos 25 min do primeiro tempo, você diz: “hoje eu não sei não, o time não está indo bem”? Esta é um boa analogia para a pressão de baixa da arroba iniciada há quatro semanas. Está havendo algum sucesso nesta tentativa? Sim, p.ex.: nesta semana a arroba média do boi no Brasil caiu R$ 0,41 (pela segunda seguida), chegando em R$ 145,87 a prazo (a vaca caiu para R$ 135,95 a prazo). Entretanto a maior parte das praças caminha como a economia do Brasil: de lado e já não cai mais.

A oferta segue melhor do que estava entre final de março/início de abril, o que permitiu (e ainda permite) testes, porém a pressão sobre a arroba não está “aquerenciada” como diriam os gaúchos, ou seja, o boi não “derrama” (escalas repletas se abastecem ainda de lotes picados e frigorífico mais apertado segue buscando boiadas de longe). Por falar em derramar, a chuva ainda dá as caras neste maio no Brasil Central como eu nunca vi, deixando o pecuarista tranquilo e explicando muito do porquê a pressão não se “aquerencia” de vez e não faz derreter a arroba.

As praças mais pressionadas seguem se alternando. Nesta semana destaco o norte de MG, sul de GO, Pará, SC e PR. De outra sorte, o oeste da BA, AC e as Alagoas estão em aquecimento (dados Scot/IBGE adaptados).


A suave queda da arroba já refletiu em um leve alívio das margens dos frigoríficos como tínhamos adiantado. Outra notícia boa é que vimos uma melhor fuidez na ponta final com a virada de mês e Dia das Mães. Mas nada que empolgue.

Se, de um lado, a preguiça da arroba em cair está farta, não há clima para recuperação agora. Talvez mais alguns leves ajustes, a não ser que a carne caia forte (fato que eu não acredito). Em função disto, o outubro na bolsa começa a entender o que deveria ter entendido há meses: boi da entressafra 2019 abaixo de R$ 160,00 é barato demais, ainda mais com as 16 (ou 24? Ou 44?) plantas que serão habilitadas para a China em breve. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“Arroba está alta para carpir e baixa para roçar. Só resta esperar o miiii e o friiii”.

3)    BEEFRADAR (importante alteração: equilíbrio de força entre queda e estabilidade)
40% queda | 40% estabilidade | 20% alta

4)    HORA DO QUILO
Quem diria... Em 27.06.17 as ações do JBS atingiram o seu valor mais baixo, de R$ 6,16. Em 09.05.19, elas estão cotadas por volta de R$ 20,80, ou seja, da operação carne fraca para cá, aumentaram cerca de 237.6%... A Minerva saiu de R$ 4,84 em 19.09.18 e chegou em R$ 8,65, uma alta de 79% nos últimos 9 meses. Muita coisa explica, inclusive o efeito China!

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Pastos de Goiás no pico do potencial de produção de arrobas em 2019. Estou falando de qual mês? Fevereiro? Não, maio! Duvida? Olhe o vídeo:
https://youtu.be/E5W9LY3OZ-k

6)    O LADO “B” DO BOI
As coisa vão acontecendo na nossa vida, dia após dia, ao sabor acelerado do binário mundo digital 4G/wifi, de modo que já não devemos ter mais as preciosas 24h entre cada ciclo de nascente do sol. Neste frenético mundo, “passamos batido” por muita coisa importante. Alguns descobrem que os filhos não são mais crianças, quando eles estão com 18 anos... Boa parte da população vai nesta “toada” e não à toa, a depressão é o novo mal do século... Cuidado!

Na vida profissional, também é da mesma forma. Sabe uma coisa que “está passando” e poucos estão se atentando com relação às suas consequências? Resp.: sobre o excelente volume de chuvas no centro-oeste do Brasil! Sobre a chuva muito se fala, mas pouco se pensa além da safrinha vigorosa que está por chegar. O gráfico abaixo apresenta em números o porquê “deste ano ser diferente”:


Note, que a exceção do susto de janeiro (em algumas localidades este problema começou em dezembro), a chuva-safra 18/19 está sendo mesmo digna da efusiva frase: chuva de Pará no Goiás! Mas e daí? Quais serão as consequências, além do que já sabemos (milho mais em conta para o pecuarista)? Eu listei aqui algumas:
1.    Manutenção da reposição em ambiente firme de preços: tanto pelo lado do vendedor, que tocará seu negócio com menos “pressa” comercial (suporte dos pastos), tanto do lado do comprador, sempre animado para atender ao pedido do capataz da fazenda de recria/engorda que teima em dizer para o patrão “arrumar mais bezerro, para dar conta do pasto”. Além disto, a bezerrada desmama está sendo mais abençoada pelo leite materno e a safrinha de capim da ILP permitirá excelentes capacidades de suporte na seca de 2019 (inflando a “fome” do agropecuarista em colher a sua segunda safra);
2.    Maior chance de termos um bom volume do boi de transição: é aquele boi gordo entre o de pasto e o de confinamento, oriundo da engorda de semiconfinamento, de dietas sem volumoso, de TIP (terminação intensiva à pasto), provavelmente inflado pela boa relação de troca sacas milho/arroba. Este volume, entretanto, poderá estar atrasado;
3.    Menor volume do primeiro giro confinado e/ou ter o primeiro giro atrasado: “para quê mandar gado para o cocho agora”? Muita gente postergando o envio para o primeiro giro ou até suplementando para um abate a pasto mais tardio;
4.    Segundo giro do confinamento atrasado: no mesmo alinhamento motivador acima;
5.    Venda de suplementos nutricionais de seca de maneira mais tardia e menos intensa;
6.    Melhor acabamento e peso das carcaças do final da safra de capim:
em função da manutenção de um nível nutricional melhor por mais tempo, devido à maior extensão da fase de vigor das plantas capineiras;
7.    Vacas saindo da desmama com melhor escore de condição corporal: podendo refletir positivamente na estação reprodutiva 19/20;
8.    Aumento da disponibilidade de boiada magra para o confinamento: bois que a princípio não iriam atingir peso para confinamento, podem lograr este êxito;
9.    Antecipadação da disponibilidade de boiada gorda da safra de capim 19/20;

Enfim, por aí vai. Talvez você tenha mais uma porção de consequências aí na sua cabeça. O mais importante, não é a lista acima, e sim, as consequências que ela trará do ponto de vista dos preços do futuro. Em minha visão, estas consequências podem se estender até o primeiro semestre de 2020! Certamente, uma mudança tão grande no padrão pluviométrico terá impacto em toda dinâmica de preços agropecuários dos próximos meses, porque o bovino brasileiro tem o coração do seu sistema de produção baseado em pasto!

Esta incomum dinâmica trará oportunidades e desafios. Há que se ficar atento pois a oportunidade só existe, enquanto poucos a veem... Ex.: o milho de 2019, pode ser comprado para uso em 2019 e 2020? Os desafios exigem uma atenção maior ainda, visto que, quem escapa deles, costuma sair muito na frente. Vejamos alguns desafios que se avizinham:
1.    Pressão de final de safra migrando de maneira incerta, do mês de maio para junho? Ou não existindo em grande intensidade (saída mais escalonada)?
2.    Boiteis com dificuldade de “decolar” quanto ao volume de gado confinado do primeiro giro?
3.    Frigoríficos terão disponibilidade de boiadas gordas confinadas entre julho e setembro?
4.    A arroba de outubro será “mais mansa”, devido a uma possível concentração de vendas pela postergação da engorda intensiva?

Cada desafio representa uma potencial oportunidade para o lado de lá da mesa, desde que se tenha estratégia. Quer um exemplo: eu adoro mandar bois para boitel quando pouca gente está enviando... Sempre haverá uns chorando e outros vendendo lenço! Até a próxima!

Fotos em destaque: o milagre dos pastos de maio em Jussara/GO e a Santa milagreira (chuva de Pará no Goiás). Detalhes no nosso Instagram @noticias_do_front.

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