Cenários para a arroba em 2020 – 14.02.20 (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 15 de Fevereiro de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Certamente a previsão de fluxo de caixa de sua fazenda precisa ser atualizada para o novo patamar da arroba em 2020. Mas qual será ele? Compartilho nossa previsão “pé na peia”!

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Como diria o Romário: "jogo é jogo e treino é treino", ou seja: tem hora que "b3 é b3 e físico é físico", assim como tem hora que "boi é boi e carne é carne". Nos dois casos, não tem como segurar caminhos opostos por muito tempo... Quer Indicador (e sei lá mais quem) queira, quer não. Mas que estão tentando segurar o Indicador Esalq/B3 no peito, estão...

2)    BEEFRADAR (um pouco mais de equilíbrio dos percentis parar tomar um fôlego)
20% queda | 40% estabilidade | 40% alta

3)    O LADO “B” DO BOI
A empresa quebra pelo caixa, não é verdade? Qual o valor da arroba você vai colocar na previsão do seu fluxo de caixa, que necessita ser revisto após a mudança no patamar de preços ocorrida no final de 2019? Esta tarefa urge...

Todo analista de mercado se sente muito confortável ao falar da perspectiva dos preços para dez anos adiante, afinal ele está “protegido” temporalmente. O mesmo analista se sente pouco (ou nada) confortável para falar da perspectiva para os próximos três meses e principalmente para as próximas três semanas. Mas você, produtor rural, precisa da perspectiva dos próximos dez anos e também das próximas três semanas...


Temos esta mesma necessidade e por isto, todo início de ano, publicamos um estudo que já se tornou tradicional: usamos o retrovisor dos preços para tentar traçar cenários possíveis para o ano... Em 2018 e 2019, este estudo foi exitoso, inclusive tendo previsto ainda em fev/19, o nível de R$ 230/@ em São Paulo, que acabou virando realidade em novembro.

A base deste estudo é o comportamento do preço arroba ao longo dos anos, ou seja, aqui não vale o valor nominal, mas o caminho que o boi traçou em cada ano (trieiro dos preços). A base de dados dos últimos treze anos os divide em três categorias: anos verdes (anos “bons” quanto ao trieiro dos preços), anos amarelos (medianos) e anos vermelhores (“ruins”), tal como um farol de trânsito. Exemplos: verdes – 2007, 2008, 2014, 2015; vermelhos 2009, 2012, 2017 e 2018; amarelos – todos os demais anos entre 2007 e 2019. Entendeu?

Importante dizer que consideramos o valor de R$ 200,70/@ a vista/livre em SP como o nosso ponto de partida para 2020. Trata-se de média dos últimos cinco indicadores de 2019 e dos primeiros cinco deste ano. A partir deste valor, construi quatro curvas prováveis de preços para o corrente, iniciando com os R$ 200,70 e a partir daí, implementando a mesma variação de preços diária observada nos dados reunidos acima. Vamos a um resumo importante:

1.    Caso 2020 percorra o “trieiro” vermelho dos preços: teríamos uma arroba em queda nominal até o final da safra, com suporte de R$ 185 (a vista/livre em SP). Em seguida, uma leve recuperação, até atingir R$ 195 em outubro/novembro. A média diária de preços de 2020 ficaria 17.5% acima de 2019. A chance de ocorrência desta curva é pouquíssimo provável, ainda que seja possível. Tudo tem que dar errado neste ano, a China não voltar, o PIB não crescer, o dólar recuar, etc, etc, etc;

2.    Caso 2020 percorra o “trieiro” amarelo dos preços: teríamos uma arroba em recuperação nominal até abril, com resistência próxima a R$ 210 (a vista/livre em SP). Em seguida, uma leve pressão, na saída da safra, até atingir R$ 200 em maio. Na sequência, uma constante construtiva de preços, atingindo R$ 245 em novembro, seguida de queda de cerca de R$ 10/@ até o final do ano. Neste caso, o preço orbitaria entre R$ 200 a R$ 245 e a média diária de 2020 ficaria cerca de 30% acima de 2019. A chance de ocorrência desta curva é pouco provável, ainda que seja possível;

3.    Caso 2020 percorra o “trieiro” verde dos preços: teríamos uma arroba em recuperação nominal praticamente o ano todo, com resistência próxima a R$ 245 (a vista/livre em SP) no pico da entressafra. Neste caso, a média diária de preços ficaria cerca de 36% acima de 2019. A chance de ocorrência desta curva é pouco provável, ainda que seja possível.

Algumas conclusões interessantes:
•    Em todas as opções, temos um incremento de preço médio ano sobre ano (YoY) muito acima da inflação, variando entre 17.5% até 36%;
•    Independente da curva considerada, existe forte suporte no nível de R$ 190 a 200/@ (mínima para o ano) e uma resistência ao redor de R$ 245 (máxima para o ano), valores na condição a vista e livre no estado de SP (aplique o diferencial para seu estado);
•    A tendência é de termos um fundo de safra menos pressionado, típico de redução de fêmeas abatidas, como estamos prevendo agora;


Você poderia me dizer: “Rodrigo, mas este ano é diferente, porque é o ano subsequente a um enorme choque de preços (recuperação), visto em novembro passado”! Pois bem, montei uma quarta curva com o retrato do quê ocorreu nas ocasiões em que vivemos o mesmo, afinal de contas, a correção de patamar de 2019 não foi inédita.

Esta quarta curva de preços, confesso, é a minha preferida e na que meu coração aposta suas fichas. Resumindo-a: teríamos uma arroba em recuperação nominal até abril, com resistência próxima a R$ 210 (mesma baliza da curva amarela). Em seguida, uma leve pressão (que não chega a R$ 5/@) na saída de safra, seguida de um segundo semestre muito firme, mas sem ambiente explosivo, com forte resistência no nível de R$ 225/@, alternando alguns momentos de pressão não muito contundente, podendo ser uma pouco mais forte na primeira quinzena de dezembro. Neste caso, nosso preço orbitaria entre R$ 205 a R$ 225 na maior parte do ano e a média diária YoY ficaria cerca de 31% acima de 2019. A chance de ocorrência desta curva é grande, ao meu ver. Detalhe: ele tende a “incomodar” menos a inflação, mais fácil de passar “despercebida”, no melhor estilo mineirinho de ser... Top!!!

Matei sua curiosidade? Em breve os assinantes vão receber estas curvas no formato de tabelas e gráficos. Para finalizar, lembro uma coincidência auspiciosa: note que os anos bons vem sempre em duplas: 2007 e 2008; 2014 e 2015. Que tal 2019 e 2020? Até a próxima semana!

Fotos em destaque: na fazenda, em Jussara/GO e com bastante chuva...

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:

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