Boletim Focus Pecuário 01 – Expectativa de abate 2019 (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 9 de Fevereiro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Quando a gente não sabe as respostas, deve chamar os “universitários”, não é verdade? É isto que eu fiz e vou compartilhar aqui. Vamos lá?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO

A pressão de baixa do início do ano deu lugar à estabilidade (na média do país). Na comparação semanal, a arroba brasileira permaneceu estacionada, tendo variado apenas centavos. Desta sorte, o boi gordo está aportado em R$ 142,77 a prazo/livre (dados Scot/IBGE, adaptados).
Entretanto, já se percebe claramente a presença do espírito da recuperação de preços previsto na semana passada, ainda que isto não seja realidade em todas as praças. O sul do Brasil (RS, SC), AC e ES estão pressionados. O MS segue abastecido fortemente pelas vacas gordas, contrastando com GO, p.ex., que está com oferta muitíssimo limitada.

As chuvas retornaram no esquema das “mangadas”, mas retornaram. A coragem do pecuarista para reter animais (e rejeitar pressão) vai aumentar, reforçando o grau de desidratação da oferta em geral. Neste momento, a sazonalidade do atacado, recuperando preços no início de mês, colabora (frango, suíno e o ovo estão na mesma toada).


A atual oferta mediana a ruim (dependendo da praça), acompanhada da sazonalidade mensal típica (refletindo primeiramente no atacado com osso e no dianteiro), trará a anunciada recuperação de preços relatada aqui na semana passada. Não espere uma decolagem 90º (estilo foguete da NASA), não há ambiente para isto. Aumentaremos nossa altitude de preços, suavemente. De toda a forma, ter o nariz para cima é bem mais confortável. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“O mercado segue confiando demais na safrinha de milho e confiando de menos na entresafra do boi. Olho atento às oportunidades”

3)    BEEFRADAR (o percentil de alta assume a guia do curto prazo dos preços)
20% queda | 35% estabilidade | 45% alta

4)    HORA DO QUILO
O nome da Faculdade de Eng. Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp fala por si. Este assunto esquecido sempre me incomodou muito: o saneamento rural. Como tratar adequadamente o esgoto doméstico e as fossas da fazenda? O link a seguir tem informações sobre o tema dos efluentes rurais: http://www.fec.unicamp.br/~saneamentorural/

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Uma nova série de podcast foi lançada. Ela contém atitudes (em tempo real) que poderiam ser tomadas na bolsa para modular o risco de preço da arroba e do milho. É a série: mexendo na bolsa! Veja o conteúdo premium do Front:
https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/conteudo-premium/

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
O Boletim Focus sempre me chamou a atenção. É um relatório on line, semanal (publicado todas as segundas), feito pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) do Banco Central. Trata-se de um consolidado da expectativa de mercado (indicadores econômicos como PIB, inflação, câmbio e juros). Os dados são coletados junto à mais de 100 instituições financeiras do País. E o bovino com isto?

Imaginei fazer algo parecido para a pecuária. Reuni perto de 35 nomes da pecuária nacional e soltei um questionário simples para esta turma responder. O primeiro tema escolhido foi o volume de animais para abate em 2019 (machos, fêmeas e abate total). A ideia é colher a expectativa média deste seletíssimo grupo, fato que pode nos sinalizar quanto aos rumos dos preços para o ano (pelo menos é o que a nata pensa). Foram três as perguntas, vejamos...

1)    Questionei sobre a estimativa de cada um quanto a variação do abate de MACHOS em 2019, sobre o total abatido em 2018 (variação YoY). Consolidado das respostas:
•    83% dos entrevistados acredita que o abate de machos de 2019 vai ser maior que 2018;
•    Cerca de dois terços dos que acreditam em aumento de abates de machos, estimam que este aumento será marginal (até +3% em relação ao ano anterior);
•    Apenas um terço dos entrevistados que acreditam em aumento de abates de machos, estimam que o aumento será consistente (3.1% de incremento ou mais);
•    Interessante observar que todos que preveem que o abate de machos vai cair, estimam que a redução será muito pequena (no máximo 1% menor que 2018);
•    Conclusão: 71% do time Focus Pecuário acredita em variação marginal do volume de machos abatidos em 2019 frente ao volume de 2018, com intervalo mais comum entre -1% a +3% (média ponderada +2,21%). Em outras palavras, o mercado acredita que o abate de machos ficará estável em 2019, mas com tendência um pouco deslocada para a ocorrência de um leve aumento.

2)    Questionei sobre a estimativa de cada um quanto a variação do abate de FÊMEAS em 2019, sobre o total abatido em 2018 (variação YoY). Consolidado das respostas:
•    67% dos entrevistados acredita que o abate de fêmeas em 2019 vai ser maior que 2018;
•    A minoria (33%), acredita em retenção de fêmeas em 2019. Destes, 100% consideram que esta suposta retenção será, no máximo, leve (4% ou menos no YoY);
•    Os 67% (ou dois terços) que ponderam que ocorrerá neste ano a continuidade da escalada do abate de fêmeas (visto desde 2017), não tem consenso quando à intensidade deste incremento: 60% creem num aumento mais forte (acima de 5.1%) e 40% imaginam um aumento mais leve (5% ou menos);
•    Conclusão: a maioria absoluta do grupo (61%) diz que o abate de fêmeas perderá força em 2019, mas ainda aumentará no YoY (média ponderada de +2,71%). Os que acreditam em retenção de fêmeas para 2019, são apenas um terço (para meu forte espanto – sou um dos que mais acredita em retenção). Certamente o abate de fêmeas mais jovens para os programas de qualidade de carne, contribui bastante para a “resiliência” do abate de vacas/novilhas.

3)    Questionei sobre a estimativa de cada um quanto a variação dos abates TOTAIS em 2019, sobre o total abatido em 2018 (variação YoY). Consolidado das respostas:
•    94% acredita em aumento de abates totais no ano de 2019;
•    Os que acreditam em redução de abates totais, acreditam em redução leve (variação negativa máxima de -1%);
•    De outra sorte, dos que julgam possível o aumento de abates, 53% acreditam em um aumento mediano a forte;
•    Conclusão: a expectativa do grupo Boletim Focus Pecuário #01 não aponta 2019 como sendo um ano de oferta “fragilizada” de gado gordo para os frigoríficos. Mas sim, digamos, uma oferta que, apesar de permanecer supostamente boa e continuar em elevação frente ao ano anterior, perde seu ímpeto de alta consistentemente.

Caso as previsões do Focus Pecuário realmente ocorram, a oferta de gado para abate não será crítica em 2019. Em minha ótica, um nível de oferta em linha (ou até um pouco positiva) pode gerar uma curva de preços interessantes, desde que a demanda colabore. Afinal de contas, nos últimos anos, a demanda tem sido mais decisiva do que a oferta para a determinação dos preços pecuários. Tomara que as vendas externas e internas colaborem. Até a próxima semana!

Fotos da semana: encontro da Associação Grupo do Boi, que reúne pecuaristas goianos uma vez por mês. À cada três reuniões, uma é feita na Fazenda de um dos associados, como foi o caso da última sexta, na Fazenda Barracão do Sr. Pedro Márcio e Newton Paiva, no município de Nova Crixás/GO. Tivemos a excelente participação da Prodap (João Correa e Lucas Rabelo), que presta consultoria na Fazenda. Associativismo é um dos melhores remédios da pecuária (detalhes no Instagram @noticias_do_front).

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