Boi olhando para baixo e milho para cima? (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 22 de Julho de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Estamos diante de um ano histórico sob vários aspectos muito além da pandemia. De junho para cá, enfrentamos geadas em sequência com profundos impactos em diversas culturas, fato raro em décadas! E a meteorologia avisa que tem mais para vir, seja no final desse mês, seja com a ocorrência do “frio tardio” (temperaturas mais baixas que o normal até o início de outubro).

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Geadas sequenciais somadas ao atraso do plantio da última safra de verão e a interrupção precoce das chuvas da safrinha deixam o mercado de milho nervoso e firme mesmo durante a colheita. E isso não é à toa, visto que os estoques de passagem mundiais estão extremamente modestos. Notícias de clima não tão favorável nos EUA de vez em quando vêm à tona, dando o tom do aperto final.

Os produtores do Brasil dispostos à venda do cereal colhido, em geral, são os menores. Os maiores colhem e estocam a produção em sua maioria, nem dando preço ou fixando um preço acima do mercado, afirmando que precisam dele para compensar produtividade menor. De agora em diante estão sendo colhidas áreas sabidamente menos produtivas. Esse cenário traz resistência aos preços do milho em plena colheita e faz os grãos olharem para as máximas dos intervalos praticados (mas sem disparo, tanto no físico quanto no futuro).


De outra sorte, a arroba ainda mantém o intervalo de preços vigente (R$ 310 a R$ 320 à vista em SP), mas começa a flertar mais frequentemente com as mínimas ou com a média dessas balizas e cada vez menos para as máximas. O motivo é a oferta de gado de cocho incrivelmente satisfatória para atender a atual demanda, mesmo com o estouro dos custos de alimentação e de boi magro desse ano. Os estados de SP e de GO são dois bons exemplos disso, locais onde podemos dizer que não há competição pela matéria-prima em julho e até em boa parte de agosto (algumas plantas). Os preços da bolsa de 60/90 dias atrás, permitia margens e deve ter animado a turma. Resultado: vemos escalas longas, as maiores do ano.

Por outro lado, o câmbio de volta aos 5.20/5.30, com a arroba mais comportada e o dianteiro exportado de US$ 6.600/ton deixam margens de abate interessantes, fato que tem limitado uma tentativa de pressão mais contundente até agora (o benefício da margem está retido com a indústria). Vemos escalas alongadas, porém sem pressão sobre a arroba, ao mesmo tempo em que novas rodadas de alta permanecem afastadas.

Conclusão: se for para a indústria voltar a “passar fome” de originação de gado para abate, será de setembro em diante, a depender da oferta de cocho do segundo giro. A tendência é a não reposição de um boi terminado no primeiro giro, pois a conta atual não está fechando (não há mais o estímulo da bolsa que houve no giro anterior). Isso abre possibilidade para um aquecimento da arroba do meio para o final do segundo semestre, coincidindo com pico de demanda externa/interna (claro, desde que com a anuência do câmbio, rs). Mais do que isso, cremos que haverá extrema dificuldade de compra de gado para abate entre dez/2021 e mar/2022 (a seca e a geada dizimam os pastos).

É o que pensamos ao tentar enxergar além da esquina no mercado... Até o próximo episódio! Saúde em excesso, Rodrigo Albuquerque

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