Boi de nariz para cima (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 16 de Junho de 2022

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Semana agitada que consolidou o final da pressão de preços de safra. Para resumir o momento, listamos em itens o que marcou os últimos dias do mercado. Vamos conferir?

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1.    A conjunção de quatro fatores sinérgicos e importantes para o fortalecimentos dos preços foi fundamental para que a arroba engatasse essa pernada de alta que se inicia agora, a saber: câmbio para cima, desafiando as resistências nos “5.10 alto”, combinado com bons níveis de embarque de carne para o exterior; a carne no atacado do mercado interno ter “feito fundo” e iniciado uma aparente recuperação de preços (intensidade a ser confirmada nos próximos dias); a oferta de animais prontos ter arrefecido fortemente, tanto de machos, quanto de fêmeas (mas eu diria, principalmente de fêmeas). Isso fez o mercado virar, embora no princípio dessa guinada aparentemente o frigorífico tinha mais certeza de que isso ocorreria do que o próprio pecuarista;

2.    Está em curso um recuo do pecuarista que tem animais prontos para abate, tentando ofertar gado de maneira compassada na expectativa de vender a preços cada vez maiores;

3.    O mercado físico tem mostrado valores maiores pela arroba, com alta semanal de R$ 30/@, consolidando os R$ 300/@ nas praças, ante os R$ 270/@ (GO, por exemplo). Interessante notar que essa venda em valor redondo não empolga mais os que tem gado para abate (a ânsia é por valores superiores aos R$ 300, em função dos altos custos do confinamento);

4.    A oferta de gado gordo está muito concentrada nesse momento, em especial, detida nas mãos de grandes confinadores, facilitando o aquecimento dos preços. Até no mercado futuro, há poucos vendedores e as cotações estão em alta, tendo o mês de outubro (contrato padrão de entressafra) retornado ao nível de R$ 340/@;


5.    Especula-se sobre os possíveis impactos da retomada do boi gordo na reposição. Penso que as categorias mais eradas (bois magros, garrotes mais pesados e vacas) têm a tendência de ter aquecimento imediato, ao passo que nas categorias mais novas, o impacto de repasse de preços tende a ser menos direto e/ou menos intenso, por exemplo nos bezerros de desmama. Temos uma pesquisa em curso no nosso canal do Telegram (https://t.me/noticias_do_front) sobre o tema, embora eu ache que o repasse de preços mais altos atingirá inclusive os bezerros;

6.    Está aberta a temporada de quiabada. Negócios “amarrados” de bois magros e de bois para abate estão sendo quebrados com a não sustentação de vendedores após o salto nos preços. Aliás, isso é uma característica de toda a cadeia, abrangendo inclusive alguns frigoríficos. Nada de novo, portanto (já vimos esse filme antes);

7.    Para finalizar, o milho segue a dualidade de olhar para baixo em função da iminente chegada da safrinha e ao mesmo tempo ter a ousadia de pensar na heresia de uma alta em plena colheita, impactado pela forte exportação e nível de câmbio facilitador desse dreno. Algo me diz que o cenário global poderá facilitar o segundo caminho. A ver...

Muito pé no chão é necessário nesse momento. A água está mexida, e vendas tem indicação de serem feitas de maneira parcelada, aproveitando a curva construtivas dos preços. Até a próxima.

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Rodrigo Albuquerque

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