Até onde a arroba vai... (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 12 de Junho de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Vi esta pergunta em um grupo de gente cabeceira de mercado e gostaria de respondê-la aqui. Segue: “a oferta nos próximos 60 dias tende a ser essa aí, ou talvez até piorar. O que a indústria poderia fazer? Porque se os grandes derem férias coletivas ou pularem abates, enxugariam mais ainda a carne e passariam margem para os pequenos, que ficariam até mais agressivos na “captura” do escasso bovino gordo... Quais seriam as ferramentas que a indústria poderia tirar da caixa nesse período? Uma possibilidade seria “bater” na bolsa de novo para tentar dar uma esfriada no físico, mas será que funciona? Semana passada, pelo menos, não funcionou... Se tomarem a bolsa para se proteger, puxam mais ainda o futuro, o que aumentaria ainda mais a pressão no físico e aí o pecuarista não entregaria o pouco que há, achando que vai subir mais... Por isso não sei se eles fariam isso... O que irá ocorrer?”

Minha melhor resposta:

Junho e julho vão ser os piores meses na visão de muita gente que eu conversei. Agora não tem muito o que fazer. Quando será que alguns frigoríficos do Brasil vão aprender a usar a ferramenta da B3 para evitar esta situação de aperto? Algumas indústrias sabem usar a B3, mas o todo do mercado não sabe... Bastava inflar os preços da B3 em abril... Mas a gana do curto prazo, pesa mais que a estratégia do médio prazo... Agora é sentar no banco do passageiro e “curtir a viagem”. Enquanto houver margem, o mercado vai, penso eu.


A hora que acabar margem, pára de abater, dá férias coletivas, etc (alguns dizem que até lá a faca vai comer mais, será?). Só que esta redução de produção de carne irá subir mais ainda o preço do atacado (lembrando que a demanda interna está valente com a mudança da cesta de compras do brasileiro e com a ajuda governamental que até o Neymar recebeu).

O atacado mais valorizado viabiliza os frigoríficos menores continuarem ativos, até chegar no limite de preço do mercado interno... O consumidor refuga e o varejista idem! Aí, o atacado cede rápido. Em seguida os pequenos se desinteressam da compra da arroba e ato contínuo, os grandes blefam, saindo das compras. No dia seguinte, a arroba cede, no primeiro suspiro de oferta e de quedinha de R$ 1/@ (mesmo porque o pecuarista vai represando o pouco que tem e deixa para soltar todo mundo junto no primeiro “susto” do mercado).

Lógico que a exportação ativa, dá mais fôlego ainda nesta brincadeira, potencializando a subida do atacado interno pelo dreno de produção.

Meu conselho: não se embriague com o momento! O mercado vai buscar o seu equilíbrio e até lá vai de 5 em 5 ou até de 10 em 10 pois a oferta curta está no comando agora. Mas o limite de até onde isto vai é dado pela demanda. O comando da oferta é de curto prazo, fugaz. O comando da demanda prevalece.

Ah, você quer um número? Vai lá: ver a arroba com uma variação nominal acima de +30 a +40% no YoY é um bom sinal de alerta. Em tempo: os frigoríficos devem estar calculando até onde a margem aguenta... É o que penso! E posso estar completamente equivocado, pois não tenho certeza de nada! Até a próxima semana!

Fotos em destaque nos episódios da semana: na roça, graças à Deus!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:


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