Analisando a história dos preços, o atual caos faz sentido? (Front - blog e podcast)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 25 de Janneiro de 2020

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Em terra sem gestão (números), tendem a prevalecer os sentimentos, ou seja, a euforia e a histeria (caos). A euforia de nov/2019 não fazia sentido, já deu para perceber, certo? O caos que estão pregando nos preços, faz? Vamos dar uma “curiada” no tema?

1)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Quem está jogando carne barata em maior volume no mercado também será aquele que mais vai precisar recompor seus estoques. Pau que bate em Chico, bate em Francisco.

2)    BEEFRADAR (segue a friagem no mercado, mas bem mais perto do fim)
50% queda | 40% estabilidade | 10% alta

3)    HORA DO QUILO
“A lógica pode levar de um ponto ‘A’ a um ponto ‘B’. A imaginação pode levar a qualquer lugar” (Albert Einstein)

4)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
A notícia de que uma famosa empresa de cosméticos aderiu à “segunda sem carne” em suas dependências varreu os grupos de zap. Esta adesão ocorreu há mais de um ano e não havia feito barulho. Sempre fico na dúvida se não estamos "levantando defunto" com a reação. A empresa, pelo menos, acusou alguma preocupação com a reação do setor. Não fala em retroceder, mas se diz aberta ao diálogo em comunicado oficial. Para mim, uma hashtag #desnatura teria dado melhor o recado: vídeos com mulheres ícones do agro, relatando suas rotinas sustentáveis de produção, passando demaquilante e dizendo ao final: #desnatura

5)    O LADO “B” DO BOI
Muito bem... O ano segue quente, como está claro no MiniFront (https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/o-curto-prazo-da-arroba-%E2%80%93-250120-minifront--blog-e-podcast/).

Esta semana, meu maior esforço foi criar três possíveis curvas de preços para a arroba em 2020, exercício tradicional que faço na terceira semana de janeiro e que tem duas finalidades: é a alma das palestras do ano e da revisão do fluxo de caixa da fazenda, atitude fundamental, passados seis meses da safra 19/20 (ainda mais em uma safra com um choque de preços, como está sendo a atual).


Confesso que não foi fácil, aliás, foi a construção de cenários de venda mais difícil que eu já fiz na vida. Após dois dias de trabalho, lendo, reunindo artigos, buscando referências, compilando dados do setor, "planilhando", conversando com pessoas que respeito, etc, criei três caminhos possíveis para o boi gordo (cenário ruim, médio e top). Mas não fiquei satisfeito. A inspiração final, veio na manhã do terceiro dia de trabalho, quando acordei com a solução desenhada na cabeça (incrível como o cérebro é capaz de trabalhar sozinho). Este estudo será disponibilizado nas palestras e aos poucos aqui. Neste, vamos focar na pressão do momento...

Alguns estão pregando o caos nos preços. Então vamos abraçar o “coisa ruim” para valer, kkkk. Vamos imaginar que haverá mesmo o tal caos. Destarte, vamos supor que o preço da arroba do início de 2020 assuma a mesma variação diária média dos 4 piores anos, do universo dos últimos 13 da pecuária brasileira.

Só para relembrar, estes 4 anos malditos foram: 2009, 2012, 2017 e 2018. Detalhando: 2009 foi o ano da crise mundial do subprime americano (o ano da “marolinha”), com PIB negativo (exportação de carne caiu 12%); 2012 foi um ano de abates incrivelmente altos, com altíssima oferta de carne para o mercado interno, principalmente de fêmeas; 2017 não precisa nem dizer (carne fraca, “Joesley Day”, etc); 2018 foi o menos pior do quarteto, mas atingido por anos de estagnação econômica, forte em abates e em disponibilidade interna de carne. Credo!

Considerei a média dos últimos 5 indicadores Esalq/B3 de 2019 e dos primeiros 5 deste ano, como o preço base de 2020. Este valor é R$ 200,70/@ a vista em SP.

Muito bem...

Se a pecuária brasileira assumisse agora o calvário da média destes 4 anos, ainda assim, ela teria uma média diária de preços 17.5% superior à média diária de 2019 (não se esqueça que 2019 só teve uns 45 dias de “paraíso” e a média dele foi de R$ 162,68/@ - Indicador Esalq/B3, SP a vista). Nossa média diária de 2020 seria de R$ 191,07/@ em São Paulo.

Detalhe: se traçarmos hoje a curva de 2020, com as três semanas ocorridas e os ajustes dos contratos futuros da B3 até dez/20, teremos um preço médio diário aproximadamente 19.5% superior ao ano anterior (R$ 194,50/@).

Em outras palavras, se acontecer a tragédia altamente improvável da demanda interna e externa ficarem “na lona”, como estamos agora, o cenário histórico é ainda de alta no YoY.


Para finalizar, vou te fazer uma pergunta: você acha que 2020 se parece com a descrição dos 4 piores anos que coloquei aí em cima?  Para te ajudar: temos hoje uma safra de capim no Brasil Central comprometida por um arranque de chuvas muito deficitário; provável retenção mais forte de vacas; suplemento energético em nível de preço desestimulante (milho nas alturas); reposição com precificação ainda na lua; fazendas de engorda com muito menos gado do que a capacidade de suporte em função de dificuldades na reposição; perspectiva de renovar o recorde de exportação de carne da história pelo segundo ano consecutivo (+12% em volume e faturamento), com abertura de mercado fortes, como a Indonésia, ou seja, pressão de demanda externa firme (o problema de suprimento global de proteína é multiespécie); perspectiva de PIB de +2.31%, juros e inflação baixos, investimentos retornando (mercado interno em crescimento); frigoríficos aumentando a capacidade de abate e as habilitações para o exterior... E por aí vai.

O caos não faz sentido olhando o passados dos preços! Portanto, temos aí um bom ano pela frente, com excelentes oportunidades! O casos é uma oportunidade! Até a próxima!

Fotos em destaque: tempo bom no centro-oeste, chuva!

CASO QUEIRA DESFRUTAR O CONTEÚDO DO EPISÓDIO ACIMA, NA FORMA DE ÁUDIO (PODCAST), BASTA APERTAR O PLAY:

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