Ajustando a baliza do segundo semestre (MiniFront)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 3 de Julho de 2021

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Depois de quase 2 anos usei um casaco pesado e mesmo assim passei frio em Jussara/GO, a terra em que o sol fez a sua morada (junto com Cuiabá e Palmas, compõe a tríade das cidades mais quentes que conheço). Tivemos um mercado de clima em grau máximo! Vamos à listinha de destaques da semana?

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1.    Houve a ocorrência de um evento extremo de clima, um frio duradouro, intenso e abrangente do ponto de vista territorial. As fortes geadas, além dos dados do relatório do USDA de 30/jun (perspectiva de uma safra americana mais modesta) fizeram o milho do Brasil abandonar o movimento de baixa! Internacionalização crescente do preço do milho é realidade, pois a quebra de safrinha do Brasil mexe com a cotação americana, e vice-versa. Em resumo: o cereal não está mais em baixa, mas ainda resta saber até onde ele vai. Uma certeza apenas: ele não vai sozinho, vai acompanhado de muita volatilidade;

2.    A recuperação do milho de maneira muito rápida, mesmo em colheita, funciona como um limitador importante na perspectiva da oferta de boiadas do segundo semestre. Há quem achava que o milho “mais manso” iria facilitar a retorno à intenção de se confinar por parte dos confinamentos pequenos/médios. A festa durou pouco, pelo jeito;

3.    Recuperação macroeconômica em “V” é evidente: a arrecadação federal em maio foi quase 70% maior no YoY; a geração de empregos foi 87% maior que o consenso das consultorias da área (280.000 empregos foram criados, sendo que a expectativa era de 150.000). Avante mercado interno! A fase de pré-pós-pandemia (vivida atualmente por nós), revela perspectivas auspiciosas para a recuperação mercado interno de consumo de proteína até o final do ano;

4.    O clima político está esquentando e isso marcou a semana em termos de direção do dólar que voltou a operar perto dos 5! O derretimento da moeda americana vai ter que esperar mais um pouco. Mais suporte para o boi gordo e o milho;

5.    Do ponto de vista do boi físico, enxergamos um certo canal de estabilidade para o curto prazo: não tem como pagar para cima (e nem precisa), tão pouco é provável uma pressão contundente. Mas não se engane, ela pode ser tentada pois vemos um cenário de oferta menos apertado do que era imaginado por muitos (inclusive por pela própria indústria frigorífica e por esse que vos fala). Em outras palavras, parece que o “não tem boi no segundo semestre” poderá ser um pouco menos estridente (oferta curta sim, colapso de oferta talvez não mais);

6.    O mercado futuro do boi interrompeu a sangria de junho, mas não conseguimos identificar tendência definida para os contratos futuros. Depois da amassada, o mercado parece estar meio “anestesiado”, ainda sem força. Lembrando que “o boi na bolsa funciona mais ou menos como uma bicicleta” (nas palavras do amigo Ricardo Heise): se não andar para frente, a bike cai! O mercado está sem tendência definida, em níveis distantes do derretimento, mas deve-se ficar atento, porque (traduzindo a analogia): sem preços para cima, o mercado cai como a bike simplesmente porque o combustível da bolsa é a expectativa (assim com o da bike é andar para frente)!


Conclusão: misturando tudo, escutei uma frase que parece resumir o mercado do boi no segundo semestre: estamos “recalibrando o view” (ou ajustando a baliza)! Em outras palavras, o mercado é firme mas uma curva explosiva ficou mais distante. Para que ela venha, precisamos de um fato novo. Por exemplo? Mais habilitações de plantas China...

Vamos acompanhar, algo tem que ocorrer para sairmos desse canal de estabilidade! Até o próximo episódio! Saúde em excesso, Rodrigo Albuquerque

Disclaimer: nenhum conteúdo do Notícias do Front deve ser entendido como recomendação de venda/retenção/compra de qualquer ativo, título ou derivativo agrícola, ou ainda como recomendação de investimento, mas sim, deve ser entendido meramente como opinião pessoal na data da sua publicação.

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