Acabou a safra (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 29 de Junho de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Acabou a safra? Não... Acabaram as safras, porque estamos no encerramento de duas. Vejamos!

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
É final de safra? Sim, referindo-me aqui à safra de engorda de capim. Mas é um final de safra diferente: com preços bem firmes. As escalas não estão longas, de modo que os preços estão em aquecimento pela segunda semana seguida, em nível nacional. O atacado da carne, enxuto, também não afrouxa. O mês de junho termina muito diferente do como começou. A média da arroba do boi a prazo subiu novamente (R$ 1,07 na semana), chegando em R$ 145,46 a prazo. Terminamos também o semestre R$ 2,25/@ acima do nível do início do ano. Está sendo uma safra construtiva de preços, fato bem diferente dos últimos dois anos.

De qualquer forma, é final de safra e quando a indústria paga mais, consegue algum alívio, como ocorreu nos últimos 3 dias em SP, MG e MS. Em outros locais, porém, isto não ocorre, mesmo com maiores preços ofertados (GO e TO, p.ex.).


Entramos no momento mais incerto para se fazer previsões sobre a arroba: é a fase de transição do pasto para os sistemas intensivos. As chuvas acima da média mantém algum suporte nas pastagens, fato que somado às incertezas quanto ao preço do milho, à polêmica recém-encerrada da China e à reposição firme, devem desidratar o primeiro giro do confinamento. Caso os sistemas de suplementação intensiva em pasto (TIP e/ou semi – impossíveis de serem estimados com exatidão) tenham volume menos intenso, uma arrancada da arroba consistente não será supresa no radar de curto prazo.

Ainda tem as alvissareiras possibilidades de melhoria ainda maior das exportações (mais plantas China? Indonésia? EUA?). Cabe ao mercado interno o frio papel do afastamento da euforia, visto o Pibinho previso para o ano. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Vento/chuva no MS... Vento/seca em GO... Escala alongando no MS e encurtando em GO.  Incerteza no ar. Vai demorar uns dias, mas o mercado seguirá em direção ao maior preço do ano.

3)    BEEFRADAR (manutenção dos percentis)
15% queda | 25% estabilidade | 60% alta

4)    HORA DO QUILO
“Ao procurar pessoas para contratar, você busca três qualidades: integridade, inteligência e energia. Se elas não têm a primeira, as outras duas matarão você” (Warren Buffet).

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Finalmente o Banco Central divulga o que todos já sabem: previsão de crescimento do Pib 2019 baixou para 0.8% ao invés de 2%. “O ano de 2019, já foi! Mesmo aprovando a previdência, não dá mais tempo de recuperar, o emprego não vai voltar agora. Vindo a reforma de previdência com algo entre 800 milhões e 1 trilhão e logo depois uma tributária, estará ótimo para 2020” (Alexandre Mendonça de Barros, dia 24.06.2019, em Campo Grande/MS).

6)    O LADO “B” DO BOI
Imagine o diálogo: “Zé, você passou o sal para as vacas”? – pergunta o fazendeiro. Rapidamente, o Zé diz: “Patrão, não é que eu esqueci? Amanhã vou no dia de compra lá na rua, mas o Sr. pode ficar tranquilo que depois de amanhã não falha”! Então, o fazendeiro responde: “Oia lá, Zé! Então tá bão”!
Agora, imagine um segundo diálogo: “Zé, apareceu lagarta na soja. Vamos lá fazer o combate agora”! O que ocorreria com o “afamado Zé” se ele esquecesse de cuidar da soja?

Percebeu a diferença? Um dos maiores aprendizados que a pecuária tem que absorver da agricultura são as janelas de serviço. Vamos mais ao fundo...

A necessidade por rentabilidade tem feito a pecuária dita “moderna” se aproximar cada vez mais da sua prima, a agricultura. Explico melhor: como a rentabilidade por unidade produzida (arroba) tem se reduzindo ao longo das últimas três décadas, os pecuaristas têm trilhado o caminho da intensificação e do aumento de produtividade (como se ganha menos por arroba produzida, eles buscam incessantemente produzir mais).

Porém, este remédio (“elixir concentrado” de produtividade, com doses cavalares do pacote tecnológico) tem um efeito colateral: com maior nível de tecnologia, a Fazenda fica mais complexa, fato seriamente complicante, visto que em geral, o nível dos controles (gestão), não sobe no mesmo nível da produtividade. A consequência nefasta é um expressivo aumento do risco (produtivo e de mercado).

Em resumo: se não tecnificar, o produtor tende a desaparecer. Mas quanto mais tecnificada for a fazenda, maior será o risco. A única saída é: intensificar equilibrando produção e gestão, mas sobretudo priorizando a melhoria de gestão. Ela tem que vir na frente da melhoria produtiva. Tranduzindo: “antes de intensificar seus pastos, intensifique a sua gestão”, como disse uma vez o Guga da Embrapa Gado de Corte (CNPGC) de Campo Grande/MS.

Portanto, a palavra de ordem na pecuária que quer seguir perenizada é gestão. No final do dia, ter gestão é ter número. “Quem não tem gestão, não tem número, não tem nada” (Antonio Chaker).

A gestão ainda é algo extremamente incipiente na pecuária, um tema abordado no Front 364_2019 (https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/voo-cego-caixa-preta-ou-painel-de-bordo-qual-e-o-seu-modelo-de-gestao-blog-front/). Ainda há muita gente em voo cego ou caixa preta. Poucos tem um painel de bordo ativo.

Uma consequência sombria de não se ter gestão nos negócios, é não se ter a baliza do início e do fim dos ciclos produtivos. Estes sistemas de produção estão apenas “fazendo”, sempre “fazendo”... Com isto, perde-se o senso de urgência das tarefas a serem desenvolvidas. O conceito de janelas produtivas simplesmente não existe, viabilizando a atitude do “Zé e do seu patrão”, ditas no início. A isto dou um nome claro: procrastinação (empurrar com a barriga).

Como toda escada de 1.000 degraus tem aquele que é mais importante (o primeiro), este Front não poderia deixar de enfocar o que estamos passando nesta semana: o encerramento da safra 18/19. A soja tem safra, o milho tem safra, o café tem safra, a psicultura tem safra, o vinho tem safra, etc, etc... Porque a pecuária haveria de não ter?

O que é safra? É um período de tempo pré-determinado, com início e fim, onde deverão ocorrer todas as atitudes produtivas cíclicas. Em outras palavras “fatia-se” o tempo, de acordo com os eventos de produção, de modo que, dentro do intervalo determinado, pode-se iniciar e encerrar o ciclo produtivo, apurando-se todos os seus resultados (financeiros, inclusive). Com isto, ganha destaque fundamental o senso das janelas produtivas, ou seja, período correto para que determinadas atividades possam ser implementadas, sob pena de não produzirem resultados (caso sejam realizadas fora deste tempo). Quer um exemplo: o plantio de milho e de soja, recentemente afetado nos EUA pela chuva. Lá, caso o produtor plante fora da janela, ele passa a não ter cobertura dos seguros de clima. Não tem exemplo mais didático e atual...

Até mesmo em função da pecuária e da agricultura estarem cada vez mais “juntas e misturadas”, ganha destaque a determinação de que a safra da agropecuária seja iniciada em 01/julho e finalizada em 30/junho. Portanto, estamos na semana de virada de chave! Você deve estar apto para determinar o resultado (produtivo e financeiro) dos seus últimos doze meses de trabalho e, da mesma forma, ter o planejamento dos próximos (capital de giro, fluxo de caixa, previsão de receitas, previsão de despesas, etc).

Como esta a governança do seu negócio pecuário? Caso o conceito de safra não seja realidade na sua fazenda, não perca a oportunidade que a próxima segunda, dia 01/julho, vai te entregar: ela é o primeiro dia da sagra 19/20. Há muitas empresas/profissionais no mercado que podem te ajudar na empreita da implantação do conceito safra na sua fazenda, caso você precise de ajuda. Não perca a próxima segunda. Ela abre o seu ano e não tem replay! Até a próxima semana!

Fotos em destaque: palestra na última segunda na Famasul, em Campo Grande/MS, juntamente com a turma da Zoomix (suplementação mineral). Detalhes no nosso Instagram: @noticias_do_front.

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