Aberta a temporada de caça do hedge do S2 (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 17 de Maio de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Deram “play” na brincadeira de procurar proteção de preços (hedge) para o segundo semestre de 2019 (S2). Parece que foi um chinês que apertou o botão... Vamos ver?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Afinal, é safra ou não? O clima “estranho” descrito na semana passada se intensificou. Por um lado há pressão no físico, como é o caso do PR, Pará, BH, RJ, MS e RO. De outro, há vários locais em que o bovino já está novamente “de lado” (SP, Triângulo , GO, RS, BA, SC, TO, AC, ES). Na média Brasil a redução de preço parece estar perdendo força. Nesta semana foram R$ 0,30/@ trazendo o boi para R$ 145,57 a prazo (R$ 135,80/@ na vaca – dados Scot/IBGE adapt). Estamos na terceira semana de queda (no passado recente elas duraram de 4 a 6 semanas).


Falando em clima, a chegada da primeira onda de frio com intensidade faz as mesas de compra de gado falarem mais em termômetro do que em boi. Alguns lotes maiores apareceram, dando a crer que “o maio vai vir em junho”. A temperatura mudou mas a chuva ainda persiste.

O atacado está em leve recuperação, levando a uma relativa melhora de margem para as vendas do mercado interno. Ao mesmo tempo em que entramos no meio de mês, vemos o cenário político interno se complicar. Mas isto não importa para a pecuária agora. O momento é (quase) de euforia, protagonizada pela perspectiva de exportação e pelas cotações da entressafra na B3, batendo recordes anuais (um atrás do outro). Ué, mas agora não seria o momento da pressão?

Sim, seria. Mas “este ano será diferente” e tem hora que “físico é físico e futuro é futuro”. A bagunça está grande e parece que ninguém sabe de nada (a verdade é esta). Será que teremos um repeteco de 2016 ou a arroba explode no buraco negro da transição pasto/cocho? Trago mais dúvidas do que certezas. Ainda bem! Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“O navio está para o bezerro, assim como a exportação China está para o Boi. O boi China baliza por cima o horizonte do mercado”.

3)    BEEFRADAR (importante alteração: possibilidade de alta ganha força)
35% queda | 35% estabilidade | 30% alta

4)    HORA DO QUILO

Mercado de clima no milho. Seja pelos lados dos EUA (com algum desafio de plantio), seja também pela precificação de uma maior exportação no segundo semestre (S2) em função do dólar (para lá de 4), seja pela demanda interna em alta devido à (anabolizada) produção de proteína animal (suíno/frango/bovino). Quantas vezes falamos de se comprar call (seguro da alta) quando o mercado estava “largado”? Tudo bem, ainda tem a safrinha e seu volume recorde para entrar, mas o sinal amarelo ascendeu...

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Mercado de clima no boi. No caso, o comprador espera pelo frio/estiagem, mas a tentativa de baixa não vai bem. A cada novo Instagram da Ministra na China, o mercado futuro desponta, tendo feito R$ 164,40 de máxima até a quinta (V19, em 16/05). O efeito maior da China deve vir de julho para frente, mas a perspectica auspiciosa para o bovino no S2 contamina o mercado. Cuidado com a euforia, principalmente na reposição e por ignorar as boas margens. O mercado está muito perigoso, com alto potencial de volatilidade. Neste contexto, a contratação de seguros de preços, passa a ser vital (vide o milho). No nosso caso a estratégia de final de safra está feita e a da entressafra está em plena execução!

6)    O LADO “B” DO BOI
Neste “lado B do Boi” vamos comentar o resultado das duas últimas pesquisas dataBOI_iBOIpe, mesmo porque elas endossam muito do que está acima. O link contendo os resultados (de acesso aberto) e os seus pontos relevantes (ao meu ver) são:
https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/expectativa-de-preco-safra-e-entressafra-resultado-pesquisas-databoi_iboipe-7-e-8/
•    A reposta à primeira pergunta aparenta ser uma visão pessimista, pois 87% dizem acreditar em pressão de final de safra. Ledo engano... Primeiro: uma safra tem sempre que ser respeitada e segundo, antever o momento de uma eventual baixa é muito melhor do que antever uma alta (se você não fizer nada na alta, já está ganhando porque naturalmente você está comprado em arrobas). Porém o “x” da questão desta resposta não ser pessimista, é outro e está na resposta seguinte;
•    Quando perguntamos a expectativa sobre a magnitude desta suposta pressão, quase 74% afirmam ser de no máximo R$ 4/@. Apenas para referência, em 2016 vimos final de safra com queda de R$ 6; em 2017 de R$ 20; em 2012 de R$ 11; em 2014 de R$ 11; em 2015 de R$ 11. Não há nada mais altista, do que se prever uma pressão fraca no final de safra;
•    A metade da amostra (praticamente 51%) acredita que junho será o mês mais pressionado entre o trimestre maio/junho/julho. Outros 40% acreditam em maio. De toda a forma, pouquíssimos acreditam em um mercado frouxo em julho;
•    De outra sorte, a pesquisa #8 questionou sobre um aquecimento de preços no S2: 90.5% acreditam nesta hipótese. Este alto percentual denota a esperança de um S2 firme;
•    A questão seguinte extraiu o nível de preço máximo estimado pela cadeia para o derradeiro semestre. São 62,6% os que acreditam em preços entre R$ 160 à R$ 169/@... São 21.1% os que acreditam em boi acima de R$ 170/@ (quase ¼ da amostra)... Os mais pessimistas somam 16.3% e acreditam em máxima de mercado inferior a R$ 160/@... Novamente: expectativa de recuperação de preços para frente!
•    Finalmente: perguntamos quando seria o ponto alto do mercado. A resposta da quinzena apontada foi difusa, mas com destaque para a primeira quinzena de setembro. Ao reunir os mesmos dados, porém com o apontamento mirando para o mês e não para a quinzena, fica claro que a maior aposta do mercado fica para o mês de setembro, com 30% dos entrevistados. Atenção: a B3 não está dando a “mínima bola” para setembro... Oportunidade! Interessante notar, que o mês de agosto empatou tecnicamente com o “queridinho” da B3 (o mês de outubro – BGIV19), ambos com 20% das respostas. Nesta semana, em função do efeito China, em meio ao clima de tentativa de pressão no físico das últimas semanas, a bolsa resolveu ascender a fogueira do BGI V19, renovando a máxima do ano para R$ 164,40/@ (no dia 16/05). Somando-se esta cotação com os prêmios de até R$ 7/@ atualmente encontrados, nota-se o boi de R$ 170/@ na tela... Este fato passou a viabilizar algumas operações de proteção do gado de outubro, que vão desde o termo até o uso das opções, passando pelo mercado futuro. Olho atento!
•    O mês de novembro não passa de 16.9% das apostas apesar de historicamente desfrutar de um mercado interno em recuperação de consumo. Muito interessante. Acho o novembro mal precificado na B3 também.

Em resumo: me parece que o mercado aposta em um “fundo de safra” suave, com vale em junho e que também põe suas fichas numa entressafra de preços “antecipados”, talvez antevendo o que eu acredito: extrema dificuldade de se encontrar boiadas prontas entre julho e setembro (transição pasto/confinamento). Talvez o mercado esteja entendendo que a tríade polpa cítrica/milho/subprodutos de algodão mais em conta produzirão o boi confinado do último trimestre com relativa folga.

Transforme a sua pecuária-aposta em uma pecuária-investimento. Quem aposta é corajoso e/ou apaixonado. Quem investe é meticuloso e amante da razão dos números. Aproveite a temporada de caça à mitigação de risco de preço do S2 e seja um investidor, ao invés de um apostador. Até a próxima!

Fotos em destaque: palestra Antonio Chaker no Encontro Aprova (17/05 em Goiânia); o ícone Zaidan mostrando o Front no Canal do Boi; a carne do Dia das Mães; supermercado em Goiânia explorando o que nós não exploramos: a raiz do agro. Detalhes no nosso Instagram @noticias_do_front.

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