A grana do vizinho é sempre mais preta? (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 24 de Outubro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

“A grama do vizinho é sempre mais verde”, diz o ditado popular. Mas será que a grana do vizinho é também mais preta?!? Será que a produção do vizinho é mais robusta? Vamos dar uma olhada no Benchmarking do Instituto Inttegra 2018/2019, lançado nesta semana?

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Um fogo queima uma montanha, ladeira acima... as labaredas vão aumentando de tamanho, causando a sensação (e a certeza) de que não dá para interromper a queimada naquele momento. Imaginou a cena? Pois bem, é o retrato do boi gordo. Não se atreva...


Há três semanas, coloquei o percentil de alta do beefradar (mede a chance de alta no curto prazo) no maior valor histórico do nosso levantamento. Batemos diversos recordes nominais do Indicador Esalq/B3 desde então e agora, tivemos a maior alta semanal de 2019 (foram altas importantes, em algumas regiões de mais de R$ 6/@ na semana). O mercado do boi recupera valor há 13 semanas ininterruptamente e a média Brasil atingiu R$ 155,50/@ a prazo (dados Scot/IBGE adaptados).

Nada indica que o curto/médio prazo se alterem pois a exportação segue em alta, a oferta tem expectativa de queda (redução das boiadas a termo confinadas, sem qualquer indício de originação de boiadas de pasto) e a demanda interna tem expectativa de melhora (no último bimestre do ano). A consequência: o atacado está no maior valor do ano e segue firme. O traseiro, inclusive, subindo mais que o dianteiro.

A pergunta do momento é: onde vai parar? Mudamos de patamar no preço da arroba ou o mercado retrocederá? O que eu mais escutei, conversando com gente que entende de mercado para valer é: “difícil estimar algo neste momento”.

As consequências começam a ficar mais contundentes no varejo da carne e nas indústrias do mercado interno, que são um mundo diferente (e menos atrativo) do que o mundo do boi China. O mercado interno, definitivamente, roda numa rotação diferente do boi China e da queimada de recordes ladeira acima da arroba.

Quem sabe encontraremos as respostas no Encontro dos Analistas da Scot Consultoria, dia 29.11.2019? Estarei por lá como ouvinte em busca de um reforço de nossa estratégia para as vendas de 2020. Nos encontramos por lá? As labaredas montanha acima estão altas. Cuidado para não sair chamuscado. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Aonde a carne vai, o boi vai atrás! Esta adaptação à famosa música “Aonde a vaca vai, o boi vai atrás” lançada há algumas décadas por João da Praia é um bom e atual resumo da arroba.

3)    BEEFRADAR (manutenção dos percentis, direcionados para recuperação da arroba)
5% queda | 25% estabilidade | 70% alta

4)    HORA DO QUILO
“Benchmarking é o contínuo processo de medição de produtos, serviços e práticas, de modo a confrontar resultados com os dos concorrentes mais fortes ou com os que são considerados líderes da indústria” (David Todd Kearns, ex-CEO da Xerox, empresa que inventou o termo atualmente consagrado pela administração moderna, nos idos da década de 70).

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
O Benchmarking consiste no processo de busca das melhores práticas numa determinada indústria e que conduz ao desempenho superior. É um processo através do qual uma empresa examina como outra realiza uma função específica a fim de melhorar a forma como realiza a mesma função ou uma função semelhante. O processo de comparação do desempenho entre dois ou mais sistemas é chamado de benchmarking e as cargas usadas são chamadas de benchmarks. É um processo através do qual se observa, aprende e melhora, podendo ser aplicado a qualquer área de atividade organizacional. Obs.: fonte das informações: Wikipedia (adaptado).

6)    O LADO “B” DO BOI
No popular, esta palavrinha “enjoada” (benchmarking), tem na sua essência uma similaridade total com aquela atitude que você tinha quando estava na labuta acadêmica do ensino infantil, fundamental, médio ou superior. Ao receber a nota de uma prova, você procurava saber qual era a nota obtida por aqueles alunos que sempre iam mal e, de outra sorte, também “curiava” a nota dos melhores da turma. Isto é puro Benchmarking.

Como a própria definição de benchmarking afirma, a atitude é muito importante para a melhoria contínua. Hoje existem algumas empresas no Brasil que fazem benchmarking na pecuária, das quais destacamos o Instituto Inttegra, liderado pelo meu amigo Antônio Chaker e suas empresas franqueadas.

Nossa atividade pecuária de Goiás participa do levantamento Inttegra pela terceira safra consecutiva, portanto, falo sobre o que vivemos. O processo não é complicado, mas envolve muita disciplina. Basicamente, ao longo da safra (01/julho até 30/junho do ano seguinte), sistematicamente são informados os dados financeiros e produtivos das propriedades participantes, os quais vão se consolidar nas métricas do benchmarking. O mesmo método é aplicado em algumas centenas de propriedades, com rigor militar, e após a depuração estatística das informações, uma vez ao ano, um resumo consolidado destas métricas é publicado.

Você pode ver o resultado das métricas de todas as fazendas reunidas, ou então, o resultado separado por grupos: de cria, recria/engorda ou ciclo completo. Desta forma, você pode ver a média de cada uma das métricas (financeiras e produtivas) do grupo que mais lhe interessa.

Outra coisa interessante é que há a publicação do resultado de cada métrica referente à média de todas as fazendas do grupo; à média das fazendas mais rentáveis do grupo (top 30% financeiro); e à média das fazendas que tiveram os melhores indicadores do grupo (top 30% produtivo).

Pronto: você se vê na mesma situação de quando recebia sua prova e ia “curiando” a nota dos seus colegas... Considero estes números tão importantes que vou confessar algo: imprimi o resultado dos Benchmarking Inttegra e os carrego comigo há 2 anos, deixando ao alcance das mãos para consultas imediatas (além dele, deixo sempre à mão a meta de desempenho de cada agrupamento de venda – método do Eng. Agr. Armélio Martins -, assim como toas as informações das pastagens, hoje 100% digitalizadas no aplicativo/software Gerente de Pasto - número de cabeças, lotação instantânea e ocorrida de cada área, lotação global de pastagens, suplementação e clima-).

Interessante notar que há um ponto de convergência entre o Benchmarking Inttegra, o programa do Armélio Martins e o Gerente de Pasto: todos optaram pelo caminho mais simples possível. Isto faz toda a diferença na pecuária de corte, uma atividade em que “menos é mais”. Depois de palestrar ao redor do Brasil para cerca de 25.000 pessoas, uma coisa me parece clara: um bom “painel de jipe” é muito mais efetivo do que um ótimo “painel de Boeing”, principalmente em termos de gestão produtiva e financeira.

Poderia dar exemplos infinitos a respeito do valoroso uso das métricas do Benchmarking, mas vou focar em uma delas que acho especial, até mesmo por estar muito ligada ao fluxo de caixa do negócio: o perfil do desembolso. Ele é um dos quatro fatores mais correlatos ao lucro pecuário (juntamente com GMD, lotação e preço de venda). Vamos lá... As fazendas mais rentáveis de recria/engorda desembolsaram na safra 18/19 os seguintes valores (expressos em R$/cab/mês): Insumos do rebanho: R$ 26,03 (nutrição, sanidade animal, identificação, etc); Mão de obra permanente: R$ 9,02; Manutenção da Fazenda (com investimento): R$ 4,52; Pastagens (manutenção e investimento): R$ 5,79; Parque de máquinas (manutenção e investimento): R$ 6,07; Administração: R$ 2,93; Taxas e impostos: R$ 3,05; Outros: R$ 0,42; TOTAL: R$ 57,83/cabeça/mês.

E você, gastou quanto na safra passada? Pretende desembolsar quanto na safra em curso? Por um acaso você se sentiu incomodado por eventualmente não conhecer seus números ou por ver que eles são eventualmente maiores que os citados?

Espero que sim, é para isto que ser o benchmarking: para lhe incomodar, afinal de contas, os “incomodados” (ou não conformados) são os que movem o mundo. Quer saber mais? Há abaixo, vários links onde o próprio Antonio Chaker explica o Bechmarking 18/19, em um programa especialmente gravado do Giro do Boi, do amigo Mauro Ortega. Aproveite. É a fonte cristalina de conhecimento. Sorva sem moderação. Até a próxima semana!

Links do Benchmarking 18/19 do Instituto Inttegra, gravados para o Giro do Boi:
1º Bloco:
https://www.girodoboi.com.br/noticias/quais-sao-as-duas-realidades-da-pecuaria-brasileira/

2º Bloco:
https://www.girodoboi.com.br/noticias/como-transformar-sua-fazenda-em-uma-maquina-de-colher-bezerro-e-dinheiro/

3º Bloco:
https://www.girodoboi.com.br/noticias/pecuarista-nao-pode-tapar-o-buraco-da-ineficiencia-com-dinheiro-diz-consultor/

4º Bloco:
https://www.girodoboi.com.br/destaques/por-que-o-pecuarista-de-recria-e-engorda-deve-estar-atento-a-torneira-do-desembolso/

5º Bloco:
https://www.girodoboi.com.br/noticias/fazendas-mais-lucrativas-do-brasil-pagam-mais-a-funcionarios/

6º Bloco:
https://www.girodoboi.com.br/noticias/aprenda-a-regra-de-ouro-para-lucrar-com-pecuaria-de-corte/

7º Bloco:
https://www.girodoboi.com.br/noticias/seis-fatores-que-sustentam-a-margem-das-fazendas-de-pecuaria-mais-lucrativas/




Fotos em destaque: andanças pelo norte e nordeste do País (Pará e Maranhão).

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