A deMANDA MANDA na arroba (Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 19 de Outubro de 2019

Companheira(o) que carrega o pó da viagem,

Quem manda na sua casa e dá a palavra final? E no mercado? Ela, sempre ela...

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
A semana consolidou a entrada do atacado do mercado interno para valer, como pilar de sustentação da arroba. Dados da Scot mostram que tivemos a semana de maior recuperação nos preços do atacado sem osso dos últimos 25 meses. Dá para dizer que houve um “rallyzinho” de alta na carne, apesar de estarmos no meio de mês. A carne é para cima, batendo seus recordes nominais por vezes, assim como faz o boi, que cravou novo recorde histórico (R$ 164,60/@ a vista no Indicador Esalq/B3, que reflete o mercado físico de SP).


A média da arroba do boi gordo no Brasil (dados Scot/IGBE adaptados pela metodologia do Front) aponta para R$ 153,61/@ a prazo, o que é R$ 10,41 maior que 01.01.19.

Estamos na 12ª semana seguida de aquecimento da arroba, nessa trajetória auspiciosa desde 01/agosto... A bolsa retornou às máximas cotações que já havia sinalizado para out/19 e renovou consistentemente suas máximas de preços para nov/19, assim como para toda a curva de 2020 (out/20 foi cotado em R$ 182/@).

A exportação, seguindo os números do início deste mês, pode alcançar o maior volume embarcado da história... O mercado de carne ignora a entrada na segunda quinzena do mês da mesma forma que os frigoríficos ignoram as escalas longas (em função do termo), ao se absterem de testar ofertas menores. Não o fazem pois a expectativa é de que haverá menor oferta de gado para abate “logo ali”, adiante.

O que faz frigorífico testar preço mais baixo não é escala longa, mas sim a expectativa do futuro de curto prazo da oferta. Esta expectativa não é boa, ao contrário da demanda, que seguirá firme.

Em resumo: aonde vai parar? Sabe como é perigoso tentar pegar uma faca caindo? Pois bem, o boi segue o mesmo raciocínio na via inversa (subindo), graças a Deus. Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
Tem gente grande por ai que nem acabou de comer o primeiro prato e já está mandando preparar o segundo... Entendedores de mercado, entenderão!

3)    BEEFRADAR (percentil de chance de alta na máxima do ano)
5% queda | 25% estabilidade | 70% alta

4)    HORA DO QUILO
“Como cheguei até aqui e minha história com o Magazine Luiza”, Luiza Helena Trajano, um exemplo de mulher, empresária e empreendedora. Esta será uma das palestra do excelente Simpósio Anual da Asbram a ser realizado nos dias 21 e 22.11.19 em Campinas/SP. Consulte a programação completa em: http://www.asbram.org.br/wp4/11o-simposio-asbram-programacao/ . Imperdível. Estarei por lá!!!

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
Os ciclos da vida se repetem. Vou te pedir um favor, especialmente se você não gosta do boi a termo... depois de consumir a seção “O lado B do boi”, dê uma olhadinha no Front de 09.11.18, praticamente um ano atrás. O título sugestivo era “Boi a termo, a prosa sem meio termo”. O link é:  https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/noticia/boi-a-termo-a-prosa-sem-meio-termo-blog-front/

6)    O LADO “B” DO BOI
Acredito muito em um raciocínio que diz o seguinte: na vida, quando você não aprende uma lição necessária para a sua evolução, esta mesma lição retorna, porém potencializada, expondo novamente você ao aprendizado desperdiçado, afinal de contas, é para isto que estamos nestes breves momentos por aqui: para evoluir. Uma força maior, o universo, Deus (ou sei lá quem ou o quê sua crença pessoal acredita) faz a trilha do aprendizado ser perfeita.

E nosso trieiro do aprendizado diário desemboca mais uma vez na aguada do boi a termo... Sim, ele novamente.

Nesta semana, vi um diálogo interessante sobre “o tal”. Alguém desconhecido por mim e, ao que tudo indica, não praticante do boi a termo, postou num dos grupos de pecuária que existem por aí, uma mensagem dando uma “cutucada” naqueles companheiros de classe adeptos à esta via de negociação. Em linhas gerais, esta pessoa questionava sobre a provável (in)satisfação dos que haviam feito negociações a termo meses atrás, para entrega agora, afinal de contas a arroba alcança maiores valores dia após dia. A mensagem claramente insinuava contra esta forma de negociação, levando a crer que estes pecuaristas deveriam estar descontentes, por potencialmente perder esta “pernada de alta” da arroba.

Em seguida, um companheiro que eu conheço e que tem no boi a termo uma das ferramentas importantes do seu negócio pecuário, respondeu mais ou menos assim: “oportuna a sua mensagem, não era o boi a termo que derrubava o mercado?!? Com os grandes frigoríficos escalados pra 60 a 90 dias pelos grandes confinamentos (que estavam em tese prejudicando o mercado), qual a explicação para as constantes altas? Fica a pergunta aqui também para os mesmos que meteram o pau no termo”.

Não quero entrar na polêmica, e, como sabem, sempre tento manter a linha da ponderação e do mais absoluto respeito a todas as opiniões, divergentes ou não.
Mas, realmente não dá para deixar passar mais um ensinamento que o mercado nos brinda.

A comercialização de 2019 está deixando vários legados e um deles é a oportunidade de elucidação dos reais impactos do boi a termo nos preços da arroba.
O principal argumento daqueles que fazem parte do time dos que odeiam o termo (sim, é como time mesmo, envolve muita emoção) é justamente a crença de que a ferramenta retiraria o ímpeto do mercado subir, por ofertar volume antecipado ao comprador.

Ora, em 2019, estamos vendo algo interessantíssimo já alertado aqui: frigoríficos absolutamente escalados (não raramente para mais mais de mês graças ao termo), porém mantendo ofertas firmes, ao ponto de vermos recorrentes recordes nominais da arroba. Uai, mas o termo não fazia o boi baixar ou o impedia de subir?!?!?!

Definitivamente: “os preços da pecuária são formados na fronteira do atacado e do varejo”, como nos ensinou o mestre Ivan Wedekin em seu imperdível livro de 2017 (“Economia da pecuária de corte: fundamentos e o ciclo de preços”). Eu acrescentaria, ousando completar o ensinamento: os preços da pecuária são formados na fronteira do atacado e do varejo, e o melhor clima desta fronteira, ocorre quando há uma pitada do tempero chamado “exportação”!

É o que estamos vendo agora! A exportação “bombada” em volume e potencializada pelo dólar aquecido, ganhou a companhia da recuperação da carne no mercado interno. Isto está de fato, avalizando a recuperação do bovino, independente de termos muito termo (e de fato, temos muito termo sim, em 2019). Fica límpido que não é o termo o único definidor de preço.

Preço é consequência da velha relação “oferta x demanda”, sendo que, devido à atual conjuntura de forças dos agentes do mercado pecuário, entre ambas, certamente a demanda tem papel fundamental no destino dos preços. De fato, a deMANDA MANDA.

Mesmo com muito termo, o boi está subindo a ladeira, afinal de contas, quando a fome é muito grande, ainda sem acabar o primeiro prato, você já está pensando no segundo. Não deixe de checar o link do artigo de nov/2018, sugerido aí em cima. É um verdadeiro manual sobre o fatídico e apaixonante boi a termo!

Finalizo, retornando ao primeiro parágrafo desta seção: quando você não aprende algo, a vida lhe oferece novamente a mesma lição, porém potencializada. Obrigado, 2019!  Até a próxima semana!

Fotos em destaque: a semana na roça, literalmente.

Artigos Relacionados

Comentários ( 0)

Escreva um comentário

Next Sites

Oops... Página não encontrada.

Desculpe, mas a página que está a procura não existe.