2019, um ano de alta para o bovino (Blog Front)

  • Por Rodrigo Albuquerque - 16 de Novembro de 2018

Companheiras(os) que carregam o pó da viagem,

A infindável vontade de dominar o futuro (desejo infrutífero), aflige o pecuarista. Qual o cenário provável da arroba para 2019? É o que vamos começar a conversar.

1)    COMENTÁRIO DA CABINE DE COMANDO
Se no último Front destacamos uma elevada heterogeneidade, dá para dizer exatamente o oposto neste. É sempre assim: o mercado, quando vai virando a tendência, fazendo a pivotagem aos poucos ao longo do continente chamado Brasil (virar um transatlântico não é tarefa fácil). Mas de repente, consolida a nova rota, no caso, a estabilidade da arroba.

Analisando os dados semanais da Scot Consultoria, vemos que nenhuma praça está em queda e com exceção do Rio Grande (do Sul) “amado”, Rio de Janeiro e Bahia, que estão em recuperação de preços, as demais localidades do Brasil estão lateralizadas. Depois de 5 semanas em queda (desde a primeira semana de outubro), a média Brasil apresentou (mísera) variação positiva: foram R$ 0,09/@ para cima. Chegamos em R$ 140,43 na condição a prazo e livre (dados Scot/IBGE, adaptados). O mercado confirmou, tal como adiantamos: o suporte R$ 140 é forte.

Finalizo, dizendo que no parabrisa de curto prazo da arroba, além da consolidação da estabilidade, vemos uma sombra cada vez mais nítida de recuperação. Quer saber porquê? Leia o conteúdo premium, muito útil para quem tem arrobas para vender nas próximas semanas. Clique no link: https://gestaoderiscoempecuaria.com.br/noticias/lista/conteudo-premium/

Segue o jogo!

2)    RECADO DA “MÃE DINAH”
“As chuvas propiciam um fortíssimo (e raro) início de safra de capim, que por sua vez, produz arrobas a pasto com maior precocidade e intensidade. A intensidade favorece o pecuarista, pelo custo de produção menor e o deixa com maior poder negocial. De outra sorte, a precocidade pode ofertar mais arrobas do que o mercado quer, em tese, anulando o efeito anterior. Qual fator prevalecerá, o positivo ou o negativo para a venda da arroba de pasto? No arranque (T1 2019), prevalecerá o fator positivo, mas no final da safra, tende a ser o inverso”.

3)    BEEFRADAR (reforço para a estabilidade/alta)
17,5% queda | 42,5% estabilidade |40% alta

4)    HORA DO QUILO

Quando um problema está numa situação muito crítica, em geral, está muito perto da sua solução... pensamento de domínio público muito alinhado com a pecuária dos dias atuais.

5)    TO BEEF OR NOT TO BEEF, A SUA REFLEXÃO SEMANAL
“Estou há cinco anos na Fazenda Panorâmica do Turvo com o Alaor Ávila. Nenhum dos cinco anos foi igual ao outro” (Ricardo Heise, ressaltando o flexibilidade que o gestor de pecuária tem que ter na jornada dos dias atuais). O que você fez de diferente no seu caso?

6)    O LADO “B” DO BOI, A SUA CRÔNICA SEMANAL DE GESTÃO DE RISCO EM PECUÁRIA
2019 no radar, portanto, iniciamos com o tal ciclo pecuário! De pronto, reforço que estamos na fase desfavorável aos produtores. Imagine uma menina nascida em abril/15, hoje com três anos e sete meses. No seu nascimento, a arroba do boi em SP valia R$ 150,00 (a vista/livre). Esta guria não está vendo, nem em termos nominais, o mesmo valor hoje (estamos com R$ 146,50 a vista/livre). E se adicionarmos a evolução dos custos destes anos (inflação)? Não vou investir tempo provando que estamos no “osso”. Seu bolso sabe, mesmo que sua memória queira lhe trair. Esta fase de baixa está “mais longa que conversa de gago”, pois encarou no meio do seu curso a pior crise da história de nossa economia.

Só que a prosa está mudando... Para os que se destinam à hercúlea tarefa de prever o futuro, a atual dúvida não é SE o ciclo de preços pecuários vai virar no nosso futuro de curto prazo, mas QUANDO ele vai virar (obs.: “virar” significa sair da fase de baixa e entrar na de alta da arroba). Em outras palavras, a fase mais favorável aos pecuaristas (onde a arroba sobe mais que a inflação) deve começar em 2019 ou em 2020, que é o nosso horizonte de curto prazo (próximos 24 meses de parabrisas). Vamos entender mais sobre esta afirmação, pois, pensando de preços, além de ciclo, há que se pensar em oferta x demanda, porque daí brotam as grandes verdades das variações das cotações. Então vamos lá.

Do lado da demanda, dá para dizer que o mercado de 2018 foi impactado (e deve continuar em 2019), pelo que chamamos de “fome por boi” por parte da indústria. Nosso leitor se lembra: após a Carne Fraca, o “bolo” dos abates do cone sul foi redividido, principalmente entre os quatro maiores players, reduzindo a liderança do maior (JBS). As plantas “sob nova direção” e as que foram abertas pelas concorrentes estão na fase de consolidação, aumentando a disputa entre as indústrias (é a “fome por boi”). O mercado já percebeu que esta briga não é fácil e este plano expansionista das concorrentes, foi revisto em parte. Embora menos pujante, ainda deve colaborar positivamente para a arroba em 2019/2020.

Os excelentes números da exportação de 2018, tem tudo para seguirem em 2019. Se por um lado, o dolar tende a “ajudar menos”, boatos e fatos consistentes de aumento de interesse ou retorno às compras de nosso principais clientes (a exemplo de China e Rússia) devem manter as vendas em bom ritmo. Talvez não tão pujantes no YoY 19/18, como no YoY 18/17. Ao invés de “caçar chifre na cabeça de égua” o novo governo, ainda nebuloso no tocante ao nosso principal importador (China) e aos países árabes, deve avaliar bem suas declarações (como a mudança de embaixada de Israel, mal vista pelos árabes, que compram 1/3 do que vendemos). Uma estratégia inteligente, seria aproveitar as oportunidades que a disputa EUA/China cria, tal como o México, que está em rota de distanciamento dos EUA (mercado fechado para nós). A nova Ministra Tereza Cristina, deve manter a perspectiva positiva.

Quanto ao mercado interno, diria que ele tá “facim, facim” para rasgar para cima, ou seja, desejando melhorar. Basta o Bolsonaro entregar ao menos em parte o que sinaliza (a começar pelas reformas). Existem claras dificuldades no horizonte de nossa economia (inclusive incertezas externas), mas não se discute que a rota é de melhora. Discute-se quando e quanto vai melhorar. Tendência positiva, mais para o segundo semestre de 2019, ao meu ver. A bagunça está grande demais e será necessário um tempo para a arrumação começar a surtir efeito.

Do lado da oferta, a grande questão é se a atual recuperação de preços dos bezerros vai estimular a margem da cria a ponto de ocorrer a reversão dos abates de fêmeas, que estão em alta há 2 anos (temos +8.1% e +1.3% de aumento nos abates do primeiro semestre -YoY 18/17-, respectivamente de fêmeas e machos). As fêmeas tem um “disjuntor” que ora está virado para a retenção (vistas à reprodução, quando a margem da cria está boa) e ora está virado para o abate (margem da cria está ruim). Quando o abate de fêmeas está “on”, a oferta direcionada para a produção de carne exerce pressão sobre a arroba (da vaca e do boi). A mão que aciona este disjuntor é o preço dos bezerros. É imperativo que eles reajam, disparando a inversão do ciclo. A recuperação de preços dos bezerros de 2018 (+7.9% sobre 2017 – período 01/jan até 15/nov) está em nível maior que a do boi gordo (4.5% de alta) e sinaliza mudança de rota. Será que a redução no abate de fêmeas ocorrerá no primeiro semestre de 2019? Uma excelente safra de pasto pode ajudar nesta decisão. Acredito que isto ocorrerá mais fortemente em 2020.

Mais dois detalhes: nos últimos anos atendemos boa parte da pujante demanda de carne de qualidade através do abate de fêmeas, fato que  interfere nas análises (é certo que conviveremos com um percentual de abate de fêmeas mais alto que o histórico, sem que isto seja influenciado pelo preço dos bezerros); também vale destacar também que os preços da cadeia pecuária não dependem apenas de ciclo pecuário, sendo reflexo de todos os elos da cadeia, e determinados decisivamente no encontro do atacado com o varejo da carne.

Extraindo o caldo, concluímos que os preços da arroba de 2019 devem entrar na fase de transição do ciclo de baixa para o de alta, exibindo recuperação acima da inflação, mas com moderação. Para 2020, recuperações mais explosivas tem maior chance de ocorrência. Em 2018, a arroba briga “pau a pau” com a inflação (estimada entre 4 a 4.5%); em 2019, ganha da inflação (prevista em 4.5%) e em 2020, ganha com larga vantagem da inflação? Sim, pode ser um cenário bem provável. A bolsa nos sinaliza exatamente isto, prevendo alta de aproximadamente 6% para a arroba em 2019, frente a 2018.

Ainda faltam números para cravar de fato a previsão acima... Esta empreita é o que faremos nas próximas semanas, ajudados inclusive para Encontro de Analistas da Scot Consultoria, de 23/novembro, em SP. Entretanto já dá para você ir se posicionando, afinal de contas, você tem o peso dos animais de recria/engorda obtidos na vacina, não é mesmo??!? Já sabe quantos animais vai vender até o final de 2019, correto?!?? Caso a resposta seja negativa, “tire o pé do chão” da sua gestão e acelere! Até a próxima semana!

Foto da semana: Fazenda Panorâmica do Turvo do meu amigo Alaor Ávila, em Indiara/GO. A propriedade é conduzida por um trabalho em conjunto com o eterno companheiro Ricardo Heise. Tive o prazer de visitá-los nesta semana. Eles estão prevendo o próprio futuro, construindo-o todos os dias, com excelência.

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